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Posts Tagged ‘Leitura’


Terminar um livro é acabar um caso de amor. Um bom livro te envolve, reclama a tua presença, passeia o dia todo em teu pensamento, te faz rir e chorar, te leva mais cedo para a cama para continuar a leitura. Como eu disse, um caso de amor. Que, por mais que você enrole, economize, demore, um dia termina. Aí, você fecha aquele volume, estreita-o nos braços contra o peito, deixa respeitosamente passar um tempo e… começa outro.

Ainda envolvido na história do anterior, relação que deixou marcas, refuga, estranha a métrica, tateia desconfiado pelas primeiras páginas. Meio traidor, demora a se soltar. Se o encantamento se repete, lá vai você,  mais uma vez fisgado, de novo apaixonado. Ou não. A coisa patina, não sai do lugar, os parágrafos, pegajosos, se arrastam. Hoje, depois de tantos, me sinto confortável em aconselhar: não insista em uma relação sem futuro. Rompa com esse e parta para outro. Tem tanta coisa boa para ser lida por aí!

Livros, como os conhecemos, podem ter seus dia contados. Mas seus autores, histórias e leitores vão continuar tecendo aventuras, amores, finais e recomeços para todo o sempre.

E, nos tempos de desapego desde a criação da Freguesia do Livro, livros lidos vão passear e chegar a novos leitores. Amores espalhados. Perfeito.

Ilustrações de Sempé.

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Como não podia deixar de ser, livros me acompanharam para Leros. Li dois enquanto estive lá.  E lá ficaram, para a biblioteca informal da casa, composta de livros de diversas procedências. Nas estantes descansam livros em grego, italiano, inglês, português, francês. Quem chega, deixa o livro que acabou de ler e se serve do seguinte. É bom porque a gente sempre encontra algo que interessa.

Livros em movimento. Meu trabalho na Freguesia do Livro. E tem também a ideia do restaurante de Franco, o Fontana di Trevi, que fica na praia de Laki, um dos portos de Leros, onde esse italiano mantém uma biblioteca para (que poético) velejadores do mundo inteiro que passam por lá. A tripulação ancora o barco, desce para uma boa macarronada e troca o livro. Assim, livremente. O livro pode ir para nunca mais voltar, zingrando mares e aventuras. Poético, novamente.

Franco começou a biblioteca há 3 anos com uns 10 livros. Hoje são uns 500. Os livros são deixados principalmente pelos velejadores que por ali passam. Ele calcula que o trânsito de livros deste bookcrossing chega a 3 ou 4 vezes sua atual biblioteca. Ou seja, 1500 a 2000 livros já foram levados e deixados ali!

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Como livros viraram uma ideia fixa na minha vida, natural que tenham me chamado a atenção nesse passeio em Nova Iorque.

Uma pequena livraria de sebo vende livros usados em estantes na calçada, por preços irrisórios. Entrar na loja é um momento de puro prazer, um caos literário com os títulos mais diversos ali ao alcance da mão.

Em Connecticut encontramos novamente prateleiras na rua, cheias de livros à venda, com um detalhe: não há ninguém vendendo, não há preço nos livros. O cliente escolhe nas prateleiras e na saída de um antigo trailler que abriga parte do acervo, deixa dentro de uma caixa o valor que considera justo. Lindo, né?

Aproveito para recordar minha fixação, a de que doar livros é bom e faz bem à saúde do país. Pense nisso e saiba mais sobre a Freguesia do Livro.

Curta a página da Freguesia no Facebook: www.facebook.com/freguesiadolivro

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Quando nasce um leitor?

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Quem me acompanha sabe que aprecio coleções, que valorizo memórias, que sou a favor de guardar o que compõe nossa história.  Mas como também acredito muito em consumo consciente, acervo de livros passou a ser algo que tendo a questionar.

Sempre fui muito ciumenta com meus livros. Escrevia meu nome na primeira página, mês e ano em que os tinha ganho ou comprado, algum comentário sobre o que tinha achado deles. Carimbo ex-libris, número do meu telefone na frente e na última página, caso o emprestador chegasse ao final da história esquecendo que eu esperava a devolução, tudo anotado em uma ficha, tipo bibliotecária zelosa e guardadora. Olhava a minha estante com orgulho, livros que representavam meu modo de ser de acordo com a idade: os filosóficos da adolescência, os romances de quando os filhos eram pequenos, os suspenses que hoje me mantêm acordada.

Eu sei exatamente o momento em que tudo isso se quebrou: um dia, emprestando um livro de uma amiga, abri na primeira página e observei que ela tinha (oh, céus!) esquecido de colocar seu nome ali.  Ao que me respondeu simplesmente: “não coloco nome nos livros. Eles não precisam ser só meus, devem passear por aí”.  O famoso clic, sabem como é? Desde então tenho praticado o desapego.

O primeiro movimento foi eliminar a ficha de empréstimo. Quer devolver, devolva. Se não, tudo bem também. Em seguida percebi que tirar livros de minha estante (que não é um coração de mãe, portanto tem seus limites de espaço), abre lugar para novos. Para o desejo de novas leituras. E permite que os livros sejam reutilizados, usados por outras pessoas. E me ajuda a manter uma certa ordem, que é impossível quando temos demais.

Porque exatamente guardamos tantos livros? Para saber o que já lemos? Movidos pelo “quem sabe um dia vou querer reler”? Para parecermos cultos e intelectualizados? Não se ofenda, você que tem paredes cobertas por volumes sem fim, livros amados aos quais se apegou irremediavelmente. É só um outro jeito de ver isso, de refletir se os livros lidos não estariam sendo melhor utilizados se abríssemos nossas gaiolas culturais e os deixássemos voar.

Nosso verdadeiro acervo já está dentro de nós, dentro de nossas cabeças e lembranças. Os livros que lemos já deixaram suas marcas e isso sim é biblioteca – aquilo que guardamos de cada história lida. Há alguns anos anoto os livros que leio em um caderninho. Sinto não ter começado há mais tempo, jovem ainda, quando iniciei minhas tantas leituras. Esse teria sido o meu acervo, o lugar para guardar meus livros lidos. Os próprios, livros materiais, ficam livres para andar por aí.

É claro que existem os mais amados, quem os tira daqui? E tem aqueles com que alimento os leitores que ajudei a constituir, porteiro, secretária, ajudante doméstica. Então, um acervo rotativo se faz necessário.  Mas, livros de ter por ter? Não quero mais. Adeus para eles. Que sejam bem-vindos na casa de outro alguém. Ou numa bibliotequinha informal, numa geladeira de padaria, em um banco de praça, na Freguesia do Livro

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Moral da história: alguns livros de seu acervo pessoal podem se transformar em parte de um acervo comunitário. Se também está repensando, lembre de nós. Recebemos e encaminhamos os livros que você já leu e quer que cheguem a outras mãos, a outros leitores. Tire da sua prateleira os livros que possam incentivar a leitura de pessoas que têm pouco acesso a eles. A Freguesia do Livro recebe e agradece. E espalha por aí! Temos uma página no Facebook que você pode curtir e ver todos os lugares onde já criamos pontos de leitura. Inspire-se.

www.facebook.com/freguesiadolivro

Solta a flor na correnteza

Longe, alguém desconhecido
faz um gesto distraído
e colhe a flor de surpresa.
(Helena Kolody)

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Trabalho em portaria sabe ser chato. Ficar ali sentado, horas a fio, observando o entra e sai de poucos moradores, uma manutenção de elevador aqui, uma entrega do correio ali… Emoção máxima na improvável ocorrência de uma visita ilustre ou de um sujeito de olhar esquisito que passa encarando e… não volta nunca mais.

No prédio onde moro temos dois porteiros que se revezam em turnos. Parafraseando José Carlos Fernandes, um é uma chaleira fervendo e outro é o Oceano Pacifico. Seu Manuel é um hiperativo que o passar dos anos não acalmou. Suas horas passadas na portaria são preenchidas com consertos de rádios e aspiradores, passos ligeiros para abrir portas pomposamente e, fagueiro, carregar as coisas que os moradores trazem em seus carros quando estacionam.  Aí chegamos ao outro, o porteiro-tema dessa escrita. Mais tranquilo, executa sua função de forma mais, digamos, fleumática. Bem humorado, tem sempre um comentário divertido para brindar àqueles que por ali passam. Sendo mais sossegado, as horas também lhe parecem mais longas. Natural então que surja o desejo de ocupar o tempo que teima em passar moroso e arrastado – e ele resolveu agilizar-lhe a passagem lendo.

Foi assim que, um dia, o encontrei em sua mesa na portaria, pelejando com o “Mundo de Sofia”. Não resisti, primeiro porque sou meio enxerida, e depois porque, mesmo lendo muito, tinha considerado a leitura desse livro bastante complexa.

“Seu Dirceu, está gostando desse livro?”

“Estou achando ótimo, Dona Jô!”

Respeitei, engoli meus comentários e fui adiante. Passaram-se dois dias e ele me parou no caminho à garagem:

“Dona Jô, pensando bem, esse livro está meio difícil…”. Era tudo que eu queria ouvir!

“Seu Dirceu, que tal se eu trouxer uns livros para o senhor? De que tipo gosta?”

Nesse exato momento nasceu um grande leitor. Seu primeiro desejo foi A Cabana, muito comentado na época. Gostou mais ou menos: “Não é tudo isso que falam”, me disse. Engatei logo o “Pai Rico, Pai pobre”, que apreciou: “Boas dicas para educar filhos”. Em seguida me perguntou se eu tinha o do Nuno Cobra, A Semente da Vitória, do qual havia escutado no rádio. Eu tinha e ele achou o livro ótimo. Resolvi partir para os de ficção policial, não sem antes criar fidelidade com Código da Vinci e afins, do Dan Brown. Passeamos por Luiz Alfredo Garcia-Roza, Mary Higgins-Clark, Harlan Coben, Rubem Fonseca.

Alegria suprema se deu quando na semana passada S. Dirceu  anunciou que a última leva literária tinha sido terminada e que eu podia preparar a próxima. Junto com o pedido veio uma lista, em papel pautado e recortado, onde constavam os que ele já tinha lido e o que achara sobre cada um deles, me orientando sobre suas preferências… Agora acho que  já sei como nasce um leitor: quando ele descobre que ler significa prazer, um modo agradável de passar o tempo.

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Frase batida, eu sei: uma biblioteca não é feita de livros, mas sim de leitores. Se isso é óbvio, então  me responda: o que produz um leitor?

Naquele mar de crianças que atendemos na biblioteca que a Freguesia do Livro montou na Vila Zumbi, algumas com vidas tão cheias de problemas que ler ou não ler deveria ser detalhe, muitas nos ignoram solenemente. Outras tentam se interessar e levam livros para casa, mas aí o descaso atávico e familiar faz com que os livros não sejam valorizados e, quando e se voltam, aparecem com cara de quem passou por maus bocados. Mas tem dois ou três que, assim, do nada, amam os livros. No meio daquela dura realidade, sentam-se concentrados, escolhem com critério, cuidam ao levar os  títulos escolhidos e voltam todos pimpões para a troca na semana seguinte. E nos brindam com presentes como esse:

Alguém arrisca um palpite? Modelo em casa? Pouco provável, a irmã não demonstra o mesmo interesse. Acertamos nas primeiras indicações de leituras? Com certeza essa alternativa encheria nossa bola, mas ele já começou assim, leitorzinho voraz. É mais inteligente que os outros e por isso lê, ou porque lê é mais inteligente que os outros? Ou é só mais curioso? Ou os livros chatos obrigatórios da escola não amorteceram seus voos literários, como fazem com tantos?

Então é isso, não sabemos o caminho, mas não desistimos de procurar. Lá no fim dele sempre pode ter alguém que está só esperando um livro para se descobrir leitor.

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Curitiba é conhecida pela quantidade e qualidade de seus parques. E são muitos, mesmo, e um é especial, o Bosque do Alemão. Além de estar imerso em uma floresta com grandes escadarias e estruturas de madeira, ele tem um caminho dentro do bosque onde andando, de tempos em tempos, você encontra painéis de azulejos que contam a história de Hänzel und Gretel (João e Maria). Bem no coração dessa pequena floresta está a Casa da Bruxa, que no nosso caso é uma simpática velhinha que, ao invés de comer criancinhas, prefere contar histórias para elas. A casa abriga uma biblioteca onde meninos e meninas podem deixar a imaginação voar, ao pé de uma lareira acesa, quando o frio por aqui aperta.

Estruturas de madeira e vista de Curitiba.

João e Maria nos azulejos. Dá vontade de deixar pedrinhas marcando o caminho.

Casa de Bruxa. Boa, porque conta história!

Tem bolacha da D. Erika no Bosque!

Falando em crianças e livros, me lembrei de mim, criança, e da minha relação com livros. Dá pra fazer uma lista das coisas que esse simples pensamento me traz:

1. as coleções da Condessa de Sègur e da Laura Ingalls que embalaram minhas fantasias de menina. Colonização americana e governantas faziam parte do meu imaginário.

2.  minhas caminhadas pelos corredores do Sion, feliz feito um cabrito, mas controlada nos passos como a educação rígida exigia (não me matou. Será que não é disso que nossos filhos sentem falta?). Lá ia eu pegar mais um livro para encher a minha ficha de biblioteca.

3. na casa de meus avós, em Blumenau, nas frias férias de julho, a alegria que sentia ao encontrar as coleções de Condensados da Seleções de meu tio Werner, livros em português! Meu avô era um leitor que levava a coisa a sério, mas só lia (e falava) em alemão.

E falando em crianças e livros, também me veio o filme You’ve Got Mail, que tem essa biblioteca:

E essa cena:

Essa conversa sobre livros e crianças tem um objetivo, você já deve ter percebido, certo? O Dia das Crianças está chegando e esse é um excelente momento para você analisar livros infantis que tiver em casa. Ou arrecadar com pessoas que conheça. E gibis, sempre! E não precisa ser só livro infantil, pois hoje temos diversos destinos para os livros que você pode “soltar” de suas estantes. Chega de prender livros. Eles estão loucos para seguir viagem.

Se for de Curitiba, encaminhe-os para nós, para a Freguesia do Livro.  Se for de algum outro lugar, procure iniciativas como a nossa, existe muita gente incentivando a leitura por aí. Para saber mais sobre esse trabalho: www.freguesiadolivro.com.br

Três coisinhas para encerrar esse post compridíssimo:

1. quando fui tirar as fotos no Bosque do Alemão, vi um taxi parado na frente do parque e seu motorista catando amoras! Aproveitei também!

2.  Onde gosto de ler: A a combinação cama-abajour-livro para mim é imbatível, e com um friozinho lá fora, então, sensacional. Ok, a cama pode ser substituída por sofá, rede, toalha na areia, cadeira macia, colo. Ponto de ônibus, saguão de aeroporto, assento de avião, sala de espera de dentista, quem se importa. Relação sem endereço, ela acontece em qualquer lugar.

E você, onde gosta de ler? Conte-me, por favor.

3. Agora chega! Mais uma cena de um filme que gosto e que tem toda a história relacionada a um livro que precisa ser encontrado para que tudo dê muito certo. E o livro é o Nos Tempos do Amor e do Cólera, de Gabriel García Marquez. Sensacional.

Para saber mais sobre o Bosque do Alemão, visite o blog Circulando por Curitiba.

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