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Posts Tagged ‘Educação’

Captura de Tela 2013-05-04 às 15.18.49Cena no salão de beleza:

A moça entra, seguida de perto pela filha – 4 anos, no máximo. Enquanto a mãe retoca o ruivo-cobre dos cabelos, a menina olha em volta e resolve que quer fazer as unhas. Alguma manicure disponível? Não, todas ocupadas, seguindo agenda apertada. Mas ela quer tanto… Sei que você consegue dar um jeitinho. Jeito dado, o primeiro faniquito:

– Quero ficar perto da minha mãe!

– Perto não dá, o carrinho não alcança.

– Mas eu quero.

Mãe, prevendo birras em evolução, para de lavar o cabelo pela segunda vez e revoluciona a geografia do salão.

– Pronto, agora você está pertinho da mamãe, tá bom assim?

Claro que não, a moça que faz a unha não tem esmalte da cor Chiclete.  Esse sim é um problemão, minha filha precisa da cor Chiclete, alguém aí tem? Turma de manicures alvoroçada, a cor se materializa, outra crise superada.

Aí, o inevitável acontece: a menina fica com fome. Quer um pastel e um milk-shake. O salão não tem lanchonete, oh céus, e agora?! A mãe se abaixa na frente da criança, mãos nos ombrinhos e tenta explicar: “querida, pode ser água ou chá? Pastel a gente compra quando sair, prometo”. Pronto, essa foi demais. A princesa olha em volta, incrédula, faz bico, o queixo treme e o grito sai gigante daquela boca pequenina.

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O fim da história deixo para você. Em um mundo ideal, a mãe finalmente lembra que aquela criaturinha tem só 4 anos e que ela devia ter ido brincar em um parquinho. Que quem manda aqui é a mamãe, que ela veio só acompanhar e não bagunçar o coreto. Que isso não se faz, entendido? E que ela vai ter que aguentar um pouco porque mamãe precisa acabar de secar o cabelo e depois vão comer alguma coisa. “Não quer a água? Que pena, vai ficar com sede mais um tempinho. E vamos parar de gritar que não é assim que se resolvem as coisas. Senta aqui e vamos ver se a gente acha uma bolsa cor-de-rosa na revista.”

Mas o que acontece, de fato, é a moça saindo apressada e de cabelo úmido, assoprando as unhinhas chiclete da menina que queria pastel.

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O texto é auto-explicativo, eu acho. Não preciso me alongar sobre como a educação de crianças anda meio atrapalhada, pais criando pequenos reis em seus castelos que quando se deparam com a vida lá fora, descobrem que tantos reis e rainhas não vão saber se adequar às normas e regras que ainda existem por aí. Criados como centro do universo familiar, como se sentirão quando se descobrirem estrelas entre milhares? Centro de nada, afinal? Igual a tantos, no fim das contas? Regras ainda existem, são simples e necessárias para termos um mínimo de civilidade em nosso mundo. Precisam ser aprendidas em casa, simples assim.

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Quantas vezes acontece de você se pegar fazendo ou dizendo coisas que sua mãe dizia? E que você achava que nunca faria ou diria? Uma pergunta que você não gostava de responder, uma ajuda que você detestava dar, um olhar que você jurou nunca usar com seus rebentos… E pimba, aí está você, perpetuando a educação que, que bom, recebeu.

Se sobrou beijo, você vai beijar muito. Se faltou abraço, você quer abraçar mais. Se rotinas ficaram no seu jeito de ser, com seus filhos você as reproduz. Se o apoio, as conversas, a graça e a leveza marcaram positivamente, você quer replicar essas boas sensações. Somos o claro/escuro de nossos pais, reproduzindo atitudes num outro contexto, numa outra geração.

Sou parecida com minha mãe, sei disso. Fisicamente somos semelhantes e no que se refere a gostos e habilidades, herdei algumas. Do meu pai, as mãos, os pés, o cabelo fininho. O resto que trago deles, acredito, foram escolhas minhas. Dos modelos que recebi, fui aplicando aquilo que me servia, a mim e a meus filhos, alvos da maternidade que há muitos anos exerço.

E meus filhos? Que pais serão? Dos exemplos que receberam, que alternativas vão selecionar? Terão entendido que nãos constroem e que facilitar demais atrapalha? Que querer saber onde vai, com quem vai, a que horas volta, não é invasão de privacidade? Terão guardado na memória os picnics, os bilhetes nas lancheiras, a exaltação aos panoramas, as histórias antes de dormir? As doses-cavalares-de amor-de-mãe? Terão valorizado as conversas, as broncas, os limites, as ausências? Seguirão os rituais, os valores, a organização? Terão dimensionado a delícia de andar na grama, de catar conchas, de colecionar gibis, de ver feijão crescendo? De brincar com fantasias, fazer bolhas de sabão, desenhar, de seguir as pistas de tesouros? Vão fazer vulcões de areia com seus filhos?  Ou se renderão à distração fácil proporcionada por Ipads sempre à mão?

É ali, naquele momento, no exercício da paternidade deles é que vamos ver o reflexo do que fomos como pais. Nos pais que meus filhos serão é que realmente verei a mãe que fui. Seguimos modelos, somos modelos. Bom se todos se lembrassem mais disso.

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Você escapou de saber que agora existe a Freguesia do Livro? Que recebemos os livros que você quer (se não quer ainda, pense no assunto) doar e os encaminhamos para biblioteas comunitárias cadastradas em nosso site? Que temos uma página no Facebook que você pode curtir e divulgar tudo isso a seus amigos?

Enquanto você responde a todas essas perguntas, veja essa Bicicloteca que mostra o que pretendemos que aconteça por aqui: livros disponíveis em lugares improváveis.

E você também pode escolher, entre as alternativas abaixo, o modo como vai participar desse movimento literário, que vai tirar livros parados e fazê-los circular:

a) vou doar livros que já li e não vou ler mais

b) vou ser um Ponto de Coleta: receber livros doados e repassar para a Freguesia

c) vou espalhar essa ideia

d) vou criar uma biblioteca comunitária

e) acho que livros não devem ser doados (sé-rio??!!)

Participe de algum jeito, conto com você. Muitos conceitos estão envolvidos no simples ato de doar um livro: consumo consciente, acesso à cultura, educação e responsabilidade social. Tudo isso.

O tempo passa rápido. Livros parados em sua casa estão deixando de ser lidos por outras pessoas. Pense nisso.

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