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Archive for the ‘Roma’ Category

Tudo o que cozinhamos começa com a coleta de ingredientes. Básico, certo? Se fosse tão simples, porém, nada nos impediria de ter no Brasil a pizza e as massas iguais às que encontramos na Itália. Entretanto, não é o que acontece, pois é exatamente nos ingredientes que mora a diferença: o tomate, a beringela, a farinha, o queijo… tudo aqui é basicamente melhor. E não vai aqui nenhuma crítica aos nossos resultados brasileiros. Nós simplesmente não mandamos nisso – a incidência do sol, a qualidade da terra, o PH da água é que determinam as diferenças de sabores. Então me rendo. O negócio é aproveitar muito bem a comida italiana enquanto estiver aqui!

Ficam aqui algumas dicas para quem pretende vir para a Italia:

Pizzaria Alice: para muitos, a melhor pizza al taglio de Roma. Está na Via delle Grazie, perto da fila (longa) para a Capela Sistina, no Vaticano. Despojadissima, não tem mesa nem cadeira. Depois de enfrentar uma confusão tipicamente italiana para fazer o seu pedido dos sabores de pizza desejados, você pode escolher se come em pé na calçada ou sentado pelo chão ou meio fio. Não tem nem pia para lavar as mãos depois de se lambuzar com aquela pizza inesquecível. Mas vale a pena, com certeza.

Tutti in piedi! Pizzaria Alice.

Pedaços da melhor pizza de todos os tempos.

Falando em despojamento, em uma paralela à Via dei Condotti, a dois passos da Piazza di Spagna, existe um lugar que nem nome tem. Na porta está escrito apenas Pasta Fresca da 1918. Isso quer dizer que desde 1918 eles abrem a porta ao meio-dia, quando é possivel ver o proprietário produzindo quantidades industriais de talharins e afins. Lugar pequeno, tem uns banquinhos encostados nas paredes. De mesas, nem vestígio. Às 13 horas em ponto eles começam a servir, com pratos e talheres de plástico, à imensa fila de pessoas que a essa altura já alcançou a rua, apesar da chuva que cai. No dia que fui, a opção era massa com pesto ou pomodoro e funghi porcini. E um copo (de plástico, é claro) de vinho da casa. Por 4 euros, uma refeição perfeita e mais romana, impossível.

Simplezinho e maravilhoso.

Il Ghetto é o bairro judeu, com comidas tipicas e uma atmosfera especial. Foi ali que repeti o Carcioffi alla Giudia, outra vez delicioso. E dessa vez consegui experimentar a torta de ricota mais famosa da região.

Tortas de ricota.

Bem perto dali, Campo de’ Fiori, que além de ter uma feira de frutas e verduras espetacular, ainda abriga a pizza bianca (como posso explicar… é uma massa de pizza sem nada em cima e mesmo assim, formidável) mais disputada de Roma.

Fiori de zucca. Flor da abobrinha. Eles sabem aproveitar muito bem. Porque nós não?

Tomates que parecem pitangas gigantes.

Tomates que parecem pitangas gigantes.

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Macarrão artesanal na feira. Campo de' Fiori

Macarrão artesanal na feira. Campo de’ Fiori

Em Orvietto, cidade feudal que visitamos hoje, conhecemos um lugar que parece uma enoteca de chocolates.

Como meu filho mora sozinho em Roma, teve que aprender alguns lugares e macetes para comer bem sem muito trabalho, o que é bastante fácil nessa cidade. A dica de hoje foi especial: uma sanduicheria, que atende pelo original nome La Sandwicheria, aberta há poucos meses e tocada por 2 rapazes simpáticos, faz, adivinhe… sanduiches. Com os ingredientes perfeitos, à escolha do cliente. Até aí nenhuma novidade, concordo com você. Mas resolvemos finalizar com sanduiche doce e o que vimos? Sanduiche de Nutella, óleo e sal. Isso mesmo. E delicioso!

La Sandwicheria.

Um sanduiche inusitado e delicioso.

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Às vezes esqueço que esse blog originalmente fala de artesanato. Como estou situada no centro de Roma, para qualquer lado que me viro  o que vejo é o artesanato-souvenir. De gosto discutível. Ímãs, estatuetas, miniaturas do Vaticano, do Coliseu.

Fugindo do burburinho do centro, andando pelas ruas menores, encontro o trabalho em madeira na terra de Pinocchio e vejo que o verdadeiro artesanato romano  está em outras coisas:

Madeira na terra de Pinocchio.

Klimt no vidro.

Artesanato. Ou melhor, arte no teto de uma igreja. Aliás, em todas.

O macarrão italiano também é artesanato!

Alcachofras artesanais. É a época!

Entrada artesanal de um restaurante.

Nessa viagem, adquiri finalmente um quadro para fazer parte da minha coleção de “lugares visitados”. Roma precisava estar bem representada e escolhi uma pequena gravura da Piazza Navona em um antiquário. O dono romano me espreita pelo espelho, visivelmente pensando “esses turistas…”

É a gravura pequenina.

Clique aqui para ver dicas de um romano em Roma. Roma vista da un italiano è diversa.

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Fazer compras quando se está a dois passos de algumas das ruas mais famosas do mundo, pode ser interessante. Desço toda a Via dei Condotti, concentrado intenso de grifes conhecidas por suas vitrines estonteantes e preços também, sem nem olhar muito para os lados. Vou tranquila porque sei que logo vai cruzar o meu caminho a Via del Corso, muito mais democrática e acessível.

Via dei Condotti vista da Piazza di Spagna.

Tempo tenho, meu filho precisa estudar, portanto já subi e desci a Via del Corso algumas vezes. Com direito a café no Bar Rosati, preferido de Fellini.

Café Rosati. Piazza del Popolo. Final da Via del Corso.

Como a primavera está chegando aqui, as cores nas vitrines são pastéis, as botas são claras e tem renda pra todo lado.
E a Zara aqui é outra coisa, ocupa um prédio de quatro andares (a antiga Rinascente), com decoração toda branca e cheia de colunas. Muito mais imponente que nossas acanhadas Zaras que habitam shoppings.

Zara. Imponente.

E achei bacana encontrar uma enorme loja da Osklen, muito brasileira, no fervo da moda mundial.

Osklen. Brasil na Via del Babuino.

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Algumas palavras são belíssimas e atraem quem escreve ao seu uso. Para mim, a palavra cristal tem essa capacidade. Considero-a sonora e transparente… Um móbile de sílabas balançando no ar.

Marido retornado ao lar, estou em Roma por mais um tempo sob a escolta da sogra e da cunhada. E foi com ela que conheci dois lugares que me encantaram, seja por seus nomes, seja pelo que vendem. São a Cristalli di Zucchero e a Polvere di Tempo.

Cristais de Açucar… Juntar minha palavra preferida com algo tão doce é o máximo. Ou não. O máximo mesmo é a confeitaria em si. Doces lindos e sem dúvida o melhor cornetto que já comi na vida, recheado com creme e uma fruta deliciosa chamada visciole (desconheço o que vem a ser. É roxa, se ajuda).

Um cornetto com visciole e outro com creme e pistache…

Cristalli di Zucchero.

Passamos a manhã toda em um curso de comida vegetariana-macrobiótica, onde aprendi o conceito da pasta madre. Essa “massa mãe” trata-se de um fermento base feito apenas com farinha e água, mantido em um recipiente e sempre “reavivado”, como insistiu várias vezes a cozinheira: é matéria viva, signora! É usado para tudo: massa de pizza, pães, cornetos, massa folhada. O que a minha cunhada adquiriu hoje, por exemplo, tem muitos anos de vida.

Será que descobri o segredo das massas italianas? Porque devo admitir: pizza como a daqui… não tem! O melhor de tudo é a Pizza al Taglio (pizza ao corte). Conceito que acho simples e delicioso e que não sei porque não pega no Brasil.

Pizza al taglio. Precisava existir no Brasil…

A cada esquina você encontra uma dessas cantinas onde entra e fica feito criança diante de um balcão coberto de pizzas retangulares dos mais diversos sabores. Depois de alguns instantes de profunda reflexão, você escolhe o sabor que deseja e de que tamanho você quer o seu pedaço. O pedaço é cortado, pesado, dividido ao meio e fechado uma metade sobre a outra. Por fim, é embrulhado em um papel e você sai, feliz como uma Páscoa (adoro essa expressão italiana) comendo aquilo pela rua.

E aqui, um recado em dialeto romano para quem acredita na importância do slow food.

Dialeto. Para mim, outra língua.

“Se vai entrar para comer aqui, deve sentar e esperar que a comida cozinhe. Mas se tiver pressa, tem um Mc Donald’s logo em frente”. Fofos, não?

Outro lugar especial, a Polvere di Tempo é uma loja charmosa em Trastevere, que quando passamos no começo do passeio, tinha um cartaz na porta dizendo “Torno quasi subito” (Volto quase logo). Na vitrine, bússolas e ampulhetas de todos os tamanhos e cores. E globos terrestres, coisa que acho que todas as casas deveriam ter, mesmo nesses tempos de Google Earth. Resolvemos voltar mais tarde. Ao entrar, para comprar uma miniatura de bússola para a coleção de meu pai, Grazia foi logo declarando que eu era brasileira. O dono começou a falar comigo em português e eu adorei conversar sobre Gilberto Gil, Chico Buarque, Florianópolis, José Serra – patriotismo é o primeiro sinal de saudades de casa. Adrian é argentino de Buenos Aires, gosta do Brasil e vive na Itália. Recomendo uma visita à loja cujo nome, em português, significa Poeira de Tempo. Combina, não?

Bússolas, globos e ampulhetas.

Voltando para casa, paramos em uma loja de brinquedos para comprar presentes. A loja é de uma moça francesa que, no caos, consegue indicar os brinquedos e livros que ela já leu e jogou com seus filhos. No tempo que fiquei ali, esbarrei e derrubei várias coisas. Mas ela se acha lá dentro!

Il Minotauro. O sonho de qualquer criança. Principalmente pela deliciosa bagunça.

Para encerrar, deixo uma reflexã0: porque, no “primeiro mundo”, as mercadorias comestíveis ficam expostas assim ao Deus dará, enquanto nós, suposto país em desenvolvimento, já prezamos muito mais as normas de higiene e comercialização?

Azeitonas ao vento.

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