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Archive for the ‘Reflexões’ Category

Melancolia

Hoje acordei assim, meio melancólica. Com saudades de coisas impalpáveis – de momentos que não voltam, de um tempo diferente. De um jeito de experimentar, de brincar e aprender que parece não mais existir. De um alimento puro, de um ar limpo, de um mar claro, de um cheiro de flor. De uma conversa sem interrupções, feita só de fala.

Melancolia principalmente, por quem não viveu nem vai viver tudo isso – e assim nem sente falta. Sorte deles?

Esses dois vídeos falam disso. O primeiro, o mundo já viu. Mas vale rever de vez em quando, que é para a gente se emendar, mesmo. Nada de deixar a tecnologia suprir necessidades que são outras.

“Hoje estou melancólica, choveu muito e a água invadiu este porão de lembranças, bóiam na enxurrada a caminho do rio. Deixo que naveguem, pois não as perderei. O rio é dentro de mim”.
Adélia Prado

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Palmas para nós, que estamos aqui, lendo este post. Vivos nesse palco, fazendo de tudo para retardar o cerrar das cortinas. Consultas médicas, exames, tratamentos, ginásticas, drenagem, 8 copos de água, alface, carne sim, carne não, 8 horas utópicas de sono…

Tendemos a pensar no envelhecer associado a perdas: pele menos viçosa, falta de memória, visão e audição diminuídas, capacidades gerais descendo a ladeira. Mas o processo do envelhecimento é sábio. Como os 9 meses que nos preparam para a chegada de um filho, o passar dos anos vai nos alquebrando, organizando nossos corpos e mentes para as perdas e ganhos. Ganhos? Sim, como não? Mais experiência, maior segurança. O corpo não é mais o mesmo, engorda, dói aqui, dói ali, mas se delicia dançando ao som de músicas que despertam boas lembranças. Mais franqueza e também mais sabedoria para saber a hora certa de ser franco. A possibilidade de assumir as coisas de que não gosta. Eu, por exemplo, não gosto de documentários, poesia, ópera, carnaval, auto-ajuda. Tentei gostar. Até fiz de conta que gostava. Mas não gosto. Fazer o que?

Nosso entorno também nos prepara para esse outono: os amigos que tendem a ter idades próximas às nossas nos contam suas mazelas: um que voltou com a bicicleta no porta-malas de um táxi porque a coluna disse chega. Outra que está de molho há 5 dias porque levantou uma caixa malvada. Tem a turma que desistiu da pulação na academia para se render aos repuxos da Yoga. Quem não tem um amigo com uma articulação que estrala, um cabelo que rareia, uma intolerância alimentar ou dificuldades de sono, um interesse silencioso e crescente por aplicações de botox?

O negócio é saber se adaptar. Não se render, mas também não se debater, como ensinariam, se pudessem, os peixes que caem nas redes. É se deixar levar pelo doce sabor das ondas, aproveitando ao máximo a viagem. Nós controlamos nossas vidas, mas a natureza tem sempre a última palavra.

Complemento com uma frase do Mário Lago, enviada por um casal amigo de Blumenau e que combina muito:

“Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo:
Nem ele me persegue, nem eu fujo dele.
Um dia, a gente se encontra.”

Migalheiro outonal.
Caixas outonais.
Para descansar as panelas das primeiras sopas. Raquel.

Falando em estações, deixo aqui um trecho que mostra as 4 estações do ano de forma especial e que entra na classificação já comentada do “deixa eu ver só esse pedaço”… Um Lugar chamado Nothing Hill também é um daqueles filmes aos quais não resisto.

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Palmas para nós, que estamos aqui, lendo este post. Vivos nesse palco, fazendo de tudo para retardar o cerrar das cortinas. Consultas médicas, exames, tratamentos, ginásticas, drenagem, 8 copos de água, alface, carne sim, carne não, 8 horas utópicas de sono…

Tendemos a pensar no envelhecer associado a perdas: pele menos viçosa, falta de memória, visão e audição diminuídas, capacidades gerais descendo a ladeira. Mas o processo do envelhecimento é sábio. Como os 9 meses que nos preparam para a chegada de um filho, o passar dos anos vai nos alquebrando, organizando nossos corpos e mentes para as perdas e ganhos. Ganhos? Sim, como não? Mais experiência, maior segurança. O corpo não é mais o mesmo, engorda, dói aqui, dói ali, mas se delicia dançando ao som de músicas que despertam boas lembranças. Mais franqueza e também mais sabedoria para saber a hora certa de ser franco. A possibilidade…

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Retribuir

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Na formatura de nosso filho mais velho, meu marido e eu escrevemos um texto a quatro mãos e dois corações. O trecho que ele criou ecoa forte em meu modo de pensar:

“O teu trabalho vai preencher uma parte grande da tua vida. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Tenha coragem de seguir teu próprio coração e a tua intuição, pondere o lugar privilegiado que você tem na sociedade. E, de alguma forma, retribua essa sorte”.

Para ser capaz de retribuir, é preciso olhar em torno e perceber que, mesmo tendo várias coisinhas sobre as quais reclamar, tivemos e temos, em maior ou menor dose, casa, comida, família, amor, apoio, abraço, estudo, dinheiro, futuro. E lembrar que uma grande parte das pessoas nesse mundo não tem, também em maior ou menor grau, casa, comida, família, amor, apoio, abraço, estudo, dinheiro, futuro.

Retribuir é ato simples. É se conscientizar das oportunidades que seus pais, seus professores, amigos e até seus rivais te proporcionaram.  A retribuição é um jeito de devolver para pessoas ou comunidade, o privilégio que, não se sabe bem por que, alguns têm e tantos não. Retribuindo, estamos jogando uma pedra no lago, espalhando ondas de reconhecimento. Vale.

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Pessoa ritualística que sou, como todas segundas-feiras, fui ao supermercado. Saquei minhas sacolas descartáveis do porta-malas, minha lista e fui fazer as compras, como sempre. Tudo igual.

Mas não estava tudo igual – a lista era menor, não precisei comprar iogurte de morango, nem leite integral, nem Chocomilk de caixinha, nem peito de peru fatiado bem fininho. Nem palmito ou goiabada.  Não precisei me preocupar em escolher as maçãs mais verdes nem as bananas pouco maduras. Pude comprar rúcula, escarola e o requeijão cremoso que eu prefiro.

Aí, na frente da banca de chuchus, veio a dor. Uma lágrima boba, que engoli bem rápido, perante a óbvia dificuldade em explicar emoções na seção de hortifruti. Doeu por dentro, então. No meio de toda aquela gente me vi, jovem, escolhendo as verduras e legumes para as primeiras papinhas, a maçã para raspar, a banana para amassar, os ingredientes para os mingaus, sanduíches da merenda escolar e negas malucas sem fim. Vi um loirinho esperneando no corredor de chocolates, uma menina de olhos verdes negociando uma goiaba vermelha. Me vi escolhendo as velas de tantos aniversários, os confeitos de tantos brigadeiros…

Meus filhos saíram de casa. Um para cada lado, por motivos diferentes. Uma volta um dia, o outro foi construir seu canto, a sua vida. Olho em volta e vejo uma casa que acaba de crescer, como num passe de mágica. Silenciosa, limpa e organizada. Chata. O tal do ninho vazio se realizou.

A comida sempre foi meu melhor meio de mimar, de demonstrar meu afeto e cuidados. Era escolhendo os ingredientes que eu juntava os elementos de minhas pequenas declarações de amor diárias. E foi na hora que percebi que parte do público para quem preparava meus bilhetes culinários não está mais aqui é que a dor apareceu. Bem na frente dos chuchus.

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Preservo e exercito o hábito de não me habituar. Vez por outra me permito achar surpreendentes coisas que, de tanto que acontecem, quase se tornam banais. Mas qual é a banalidade de algo como um ser humano pequeno e completo sair de dentro de uma mulher? Como não se assombrar com as capacidades cerebrais, com os remédios que curam, as dores que passam, a pele que cicatriza? O incrível contido em um arco-íris no céu, nas sequoias americanas, em lagartas virando borboletas, a aurora boreal, os movimentos do girassol. Em gente que nasce com talento para compor uma 9a Sinfonia, para pintar uma Capela Sistina, para escrever um Hamlet. Avião, telefone, televisão, aspirador de pó, máquina de lavar, email, skype. Waze! Gente que faz bungee jump, pula de paraquedas, escala o Everest. O quanto os filhos crescem rápido. O tempo, como ele passa.

Assombro-me. Surpreendo-me. Minha pequena homenagem diária a essa coisa incrível que é o mundo em que vivemos.

PicMonkey Collage4

Fotos:
Dave Wilson Photography
Allison J. Bratt
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A gente escolhe a diferença que vai fazer: Mari fez um pomar na praça em frente a sua casa; Napoleão resolveu arborizar as margens do trilho de trem; a Freguesia do Livro espalha livros por aí, o S.Viana transformou o quartinho do lixo do seu prédio em biblioteca comunitária; meu pai alimenta toda a passarada do seu bairro… E você, faz ou conhece alguém que faça uma pequena grande diferença? Conta aqui!

Achei esse vídeo, simples e simpático, que mostra um jeito de espalhar uma mensagem positiva.

E para você fazer um agrado para a família, um bolo. É parecido com um que faço, mas com alguns toques diferentes. Da Rita Lobo, ficou uma delícia. A receita está aqui, no blog Panelinha.

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Toda impressão pode ser verdadeira. Ou falsa. Ou mudar o tempo todo. Porque você, que julga, também está mudando sempre.

Já te aconteceu de conhecer uma cidade, famosa por sua beleza, mas você chega em um dia de chuva e sai dela com a impressão de que “nem era tão bonita assim”? Você não conseguiu visitar os lugares que queria, se ensopou toda vez que tirou o nariz para fora do hotel, tudo tão cinza e molhado… Quer o destino que você tenha que voltar um dia para lá e calha de ser bem num dia de sol e céu-espetáculo. Que cidade! Que lugares lindos! Que gente simpática!

Vamos imaginar outra situação: o sujeito acorda de ovo virado, implicando até com o jeito que a esposa cortou o mamão. Natural que para ele a comida do restaurante recomendadíssimo onde almoça tenha uma longa lista de defeitos. Já para o casal da mesa ao lado, apaixonado e feliz, o mesmo prato entra para os preferidos da vida.

Penso muito nisso quando conheço pessoas que não me causam uma boa impressão inicial. Tanto elas podem ser mesmo chatas – mal educadas – pernósticas como aparentam, como podem estar vivendo o seu dia de chuva. Ou estar com pressa, com dor, tristes porque perderam um anel ou bateram o carro. Julgamentos precipitados descartam possibilidades, cada um de nós tem seus momentos nebulosos e seus clarões primaveris, e sorte – ou azar – de quem cruzar conosco nessas fases.

Moral da história:  julgar sem levar em conta as 700 variáveis que incidem em uma impressão é sempre precipitado. Toda flor tem seu dia de espinho, todo jardim tem seu dia de poda, todo céu azul tem seu lado trovão, todo humor tem seu dia de queda. Todo feliz tem seu dia de triste, todo certo quer ser um pouco errado, todo amor tem seu ódio guardado.

Vivo falando isso, mas arrisco em deixar a impressão de ser uma chata de galocha e repetir: a gente precisa se colocar no lugar do outro. Cada um de nós é um prisma, que vai brilhar ou não, dependendo da luz que sobre ele incide. Somos tantos em um só, diferentes a cada momento que passa. Lembrar que essa transformação constante também acontece com os outros é fundamental.

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E veja aqui essas imagens que mostram de maneira magistral o quanto um mesmo foco pode mudar. Depende de tantas coisas… Fotos de Manuel Cosentino.

Imagem inicial daqui. Todas as outras do Pinterest.

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