Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Reflexões’ Category

FullSizeRender_3

Estou ficando esquecida. Já nem me lembro de quantas vezes toquei nesse assunto por aqui. Em certa medida, me incomoda. Me imagino daqui a alguns anos, olhando em volta sem saber quem sou ou onde estou indo (isso às vezes já acontece, quando meu carro assume o comando e nenhum de nós dois sabe para onde vamos). Ok, esse é o pior panorama, mas no meio do caminho até esse extremo, existem os pequenos esquecimentos do dia-a-dia, que enervam. Principalmente se você tem um marido, ou filhos, ou amigos, que te olham com pena e preocupação (exagerada e irritante), como se você estivesse a um pé da amnésia absoluta.

DSC04702

Portanto, o negócio é cultivar tudo aquilo de que lembro bem. É suspirar de prazer por lembranças antigas que trazem boas sensações, sendo a melhor delas, a própria capacidade, ainda intacta, de recordá-las. Esse tipo de lembrança, necessariamente atada a momentos afetivos, se sedimenta e fica ali, forte, pavimentando a vida da gente, dando um sentido e um lugar para onde voltar, sempre. Preservar memórias boas, num caderno emocional que será acessado nos lapsos de branco total ou pouca retenção das coisas novas. Naquela fase em que lembramos do lanche do primeiro dia de escola, do nosso aniversário de 8 anos como se fosse ontem,  mas esquecemos do que almoçamos … hoje.

Aproveitemos, então, as velhas lembranças, aquelas que fazem parte da gente feito os braços, a pele, os sentidos. As nossas verdadeiras marcas, rugas e cicatrizes. Que ficam na gente, ou nos outros. Como álbuns de registros e fotografias que folheamos em busca do que fizemos e fomos. Um arquivo com um de a ao z de pedaços de nossas vidas: infância, escola, família, natais, avós, sabores, lugares, primeiras vezes, últimas palavras.

Uma memória afetiva, marcada por fatos que, por algum motivo, realmente importaram. E são os que contam, no final da história. Não as chaves do carro que nunca encontramos, nem o celular que sempre ficou em algum lugar, nem a cena seguinte do filme assistido quatro vezes, nem o nome/endereço/telefone/aniversário de tantas pessoas e, muito menos, os itens na compra do supermercado. Essas são todas coisas pequenas que o dia-a-dia trata de devorar. Mesmo que deixem um leve sabor amargo pelo esquecimento e perdas cognitivas, pense que esquecê-las aumenta o espaço para guardar o que realmente precisa ser lembrado.

FullSizeRender-3

Vira uma cesta, cheia de lembranças soltas, que a gente leva por onde vai e usa quando bem entende. Eu…lembro do vestido lindo usado no casamento da primeira professora; dos tapetinhos em que aprendi a ler e escrever; das cascas de ovos pintadas por minha mãe com desenhos da Disney para a Páscoa; do jogo de amarelinha na casa em Blumenau; das aulas de violão, de piano, de tricô, de ballet; das pessoas que me ensinaram tudo isso. De desenhar com meu avô, da minha criação de tatu-bolas, do padeiro que chegava com o pão quentinho ao por-do-sol na praia… Das paixões, das gestações, dos fins.  Minha cesta só faz sentido para mim.

E a sua, o que leva?

Você também vai lembrar em…

Captura de Tela 2011-12-31 às 18.37.04Ciranda da boa lembrança

captura-de-tela-2011-05-06-c3a0s-19-12-38Quem guarda, tem.

DSCN0374Um bolo de amêndoas

Read Full Post »

 

save

Quando trabalhava como fonoaudióloga estimulando a fala e linguagem de crianças, insistia com os pais para que permitissem que elas, desde pequenas, decidissem. Para poupar tempo, artigo de luxo nos nossos dias, fazemos muito isso com nossos filhos: escolhemos suas roupas, deixamos o sanduíche pronto, vamos ao supermercado e escolhemos o que vão consumir, vamos sempre na mesma lanchonete. Decidimos por eles. Com certeza, porque isso economiza discussões, argumentações e…tempo. Ao fazer isso, porém, tiramos da criança a possibilidade de, ao tomar uma decisão, usar todas as funções cognitivas envolvidas nesse processo: análise das alternativas, comparação entre elas, levantamento dos prós e contras de cada uma para finalmente… decidir. Quantas coisas estimuladas em um cérebro para uma simples atitude como a decisão.

Depois dessa palestra super didática sobre os benefícios do processo decisório, confesso de peito aberto e coração na mão que sou uma indecisa formidável.  Se vou – se não vou; se ligo – se não ligo; se compro – se não compro; se compro o azul – se compro o verde. Se comprei – não devia ter comprado. Uma canseira. A cor do esmalte, do batom, da tinta para a parede da sala, o azulejo novo do banheiro, o tecido do sofá, o cardápio para o jantar com amigos… Cardápios! Que tortura! Faço enquetes, solicito opiniões, penso, repenso e penso novamente. E, além de demorar para decidir, ainda consigo me arrepender das decisões arrancadas a duras penas. Credo, que chatice. É um tempo que me dói perder. Ficar patinando, rodando no pé sem definir um caminho.

large1

E me pergunto: os decididos, aquelas pessoas que admiro e invejo, existem? Quem toma atitudes assim, de forma rápida e determinada, tem o que que eu não tenho? Ou disfarça melhor seu processo de escolha das alternativas? Ou vive impulsivamente e faz, para pensar só depois, torcendo para ter dado certo?

Você, como é?

tumblr_mhntdzFlkx1qz4d4bo1_500

 

Você também vai gostar de…

jaTudo aquilo que nunca fiz

DSCN3469Tudo por você?

Captura de tela 2011-06-12 às 15.34.12Eu desisto. E você? 

 

Read Full Post »

thumb7

Ou o Arnaldo Antunes é minha alma gêmea ou o que o faz feliz são coisas que trazem em si o conceito de felicidade obrigatória.

Veja se concorda. E se para você faltou alguma coisa, por favor, complemente nos comentários.

Você está fazendo o que te faz feliz?

PicMonkey Collages

O que faz você feliz? A lua, a praia, o mar. Uma rua, passear. Um doce, uma dança. Um beijo ou goiabada com queijo? Afinal, o que faz você feliz?   Chocolate, paixão Dormir cedo, acordar tarde Arroz com feijão Matar a saudade O aumento, a casa, O carro que você sempre quis Ou são os sonhos que te fazem feliz?   Dormir na rede, matar a sede Ler ou viver um romance   O que faz você feliz?   Um lápis, uma letra, uma conversa boa Um cafuné, café com leite, rir a toa Um pássaro, um parque, um chafariz Ou será o choro que te faz feliz?   A pausa para pensar Sentir o vento Esquecer o tempo O céu O sol Um som A pessoa Um lugar.  ( Arnaldo Antunes) E esse vídeo fala bem disso.

Numa tradução pinçada e livre, aqui algumas coisas que fazem dele um sujeito feliz, que corre atrás da realização única e pessoal, por mais 35 anos: Comida apimentada Dar boas gorjetas Cereal e desenhos animados nos sábados de manhã Evoluir como pessoa Pedras quicando na água de um lago A luz dourada da última hora do dia Andar de bicicleta à noite Fazer garotas bonitas sorrirem Amigos Ver ao vivo um lugar conhecido em calendários ou cartões postais Sentir o mar mergulhando Sentir as pessoas andando no meio delas em uma calçada Gente feliz por ouvir e dançar com a música Café! Não colocar os sonhos no “quem sabe um dia, quando tiver mais tempo…”

Você também pode gostar de…

Captura de Tela 2011-10-31 às 18.55.49Fazer o que gosta – todos os dias

moonwalkUm dia a menos. Ou mais um dia.

Captura de Tela 2011-12-20 às 20.33.39Você tá feliz? E papo de anjo.

 

 

Read Full Post »

57f2e57df8400b6730acf879a5dc915e

Finitude é um troço complicado. Pensar no fim de coisas boas nunca agrada – uma festa, um encontro, um livro, um namoro, um doce, um casamento. A vida. Já outras a gente não vê a hora que acabem, como as palestras longas, os sermões intermináveis, tratamentos doloridos, relacionamentos arrastados.

De qualquer jeito, estamos falando de fim. Aquele, inexorável, que, hora ou outra vai chegar. Nesse caminhar nessa direção indiscutível, o que realmente me transtorna é tudo que ainda quero fazer e que sei, cada vez de maneira mais evidente, que não vai dar tempo. Não será possível ler todos os livros, conhecer todos os lugares, ver todos os filmes, experimentar todos os sabores, correr atrás de todos os sonhos. Ver rugas estriando no meu rosto quando sorrio não me dá metade dessa dor.

Ser seletivo, então? Aprimorar as escolhas, priorizar a qualidade? Nas filas de desejos e projetos, ordenar por grau de importância, ir atrás do que é melhor? Mas como saber se não experimentarmos tudo? Difícil, eu sei. Mas pequenas atitudes são determinantes: o livro não está correspondendo? Tchau, a fila anda. Filmes bons, comida boa, a companhia dos amigos escolhidos.

1509246_10202408413668964_758503027_n

No livro que estou lendo, o Clube do Filme (aliás, outra fonte de mini-angústias), um pai resolve que o filho adolescente pode deixar de ir à escola desde que assista os filmes que ele selecionar. A história é recheada de filmes que despertam uma vontade de ver e de novo me deixam com a sensação de que não vai dar… mas o foco é um trecho, quando ele explica que muitas coisas na vida devem ser vistas duas vezes, e que a segunda pode ser melhor que a primeira, porque nessa já sabemos o fim.

A vida é isso, não é? Um filme que sabemos como termina. Motivo para levá-la da melhor maneira possível, perdendo pouco tempo com o que pode ser evitado e aprofundando o contato com tudo que realmente importa. Olhe as suas filas de desejos e projetos, deixe a dor de lado e não perca tempo. Viva.

1924995_677918328942120_138716967_n

Imagem livros: Pinterest

Tag Previsão do Tempo: blog Luz de Luma

Você também pode gostar de…

DSCN0360Quem guarda, tem

Captura de Tela 2013-04-23 às 22.34.56Antes de morrer

moonwalkUm dia a menos

Read Full Post »

afdf88c957ebfed39344c3db2eb3d0d9

Minha sogra deixou que seu filho de 22 anos atravessasse o Atlântico, da Itália para morar per sempre no Brasil.

Vou deixar você aí pensando nisso: você, mãe de criança pequena que nem consegue imaginar que ela um dia vá ficar a 500 metros de distância do seu olhar ou abraço. Você, pai de adolescente que tem certeza de que aquela criatura que está aí testando todos os limites vai precisar sempre da sua orientação ou presença. Ou vocês que, ao verem o filho se tornar um adulto determinado e promissor, percebem que têm um companheiro para todas as horas. E então, ele vira para você e diz que vai mudar de país, e para um que fica a 12.000km de lonjura…

Já pensou? Na época, como eu era a que queria que ele viesse, também jovem, jovem, sem planos no horizonte de ser mãe de ninguém, achei natural. Só fui entender o tamanho do desprendimento de minha sogra, o quanto deve ter sido difícil ver esse filho partir, à medida que os meus foram nascendo e crescendo. A ficha caiu quando o mais velho fez os tais 22 anos e eu senti uma dor cúmplice, um grande respeito pela pessoa que acreditou num garoto cheio da arrogância, certezas e coragem inerentes à idade.

O fato é que esse filho veio, assim jovem, para sempre, da Itália para o Brasil. Aqui constituiu família e fez com que essa Nonna visse seus netos crescerem à distância. Mesmo assim, ela conseguiu ser presente, forte, influenciando seus descendentes com suas histórias, receitas e tradições. A ela, minha gratidão e admiração por não ter imposto dores a mais a esse filho desgarrado de casa e país. Por ter me visto como filha, como lar para o filho que partiu. Virou uma mãe longe, mas perto, para nós dois.

DSC04083

Eu falei receitas? Pense numa mulher que viveu sob a influência das culturas árabe, grega e italiana e as transferiu para a sua culinária. Já falei de uma receita que aprendi com ela aqui, os Tomates Recheados. Hoje, compartilho outra coisa que faz muito sucesso aqui em casa: Penne alla Vodka. Bom e fácil.

DSC04031a

Penne ala Vodka

Ingredientes
Molho de tomate (uso aqueles em garrafa, passatas de tomate sem nenhum tempero além do sal. Ou o molho de tomate caseiro que também aprendi a fazer com a sogra. Assunto para outro post)
3 dentes de alho
Azeite de oliva
Pimenta calabresa ou peperoncino (a gosto)
Sal a gosto
1/2 colher de chá de açúcar
2 colheres de creme de leite
1/4 de copo de vodka
Folhas de manjericão

Como fazer:
Cubra finamente o fundo de uma panela com azeite de oliva. Coloque os dentes de alho e deixe que dourem levemente. Adicione o peperoncino e em seguida coloque o molho de tomate. Tempere com sal e 1/2 colher de chá de açúcar. Abaixe o fogo e deixe apurar, semi-tampado, por uns 15-20 minutos.
À parte, em uma tigelinha, coloque o creme de leite, a vodka e as folhas de manjericão.

Cozinhe a massa seguindo o tempo sugerido para que fique al dente, menos um minuto. Escorra a massa e misture com parte do molho, sobre a chama de fogão por um minuto, para incorporar o molho. Apague o fogo e adicione a mistura de creme, vodka e manjericão. E sirva, com o molho restante em uma tigela para quem quiser mais “molhado”. Parmesão ralado combina.
Bom apetite!

Imagem casa: Pinterest

Foto da sogra: provavelmente feita pelo sogro, 1960, Roma. * A sorte é que ficou um gêmeo com ela lá…

Você também vai gostar de…

DSC00816Minha gastronomia grega

01Mães

DSC_0026Ganhei da minha mãe

Read Full Post »

DSCN3484

O mundo anda tão complicado. O trânsito nos tira do sério, gente que não sabe o que são horários e compromissos irrita, pessoas que não respeitam a diversidade, os subordinados ou as dores alheias estão soltas por aí, todos desafiando o monstro respondão que habita dentro de nós. Para engatilhar uma discussão, precisa pouco. Dedos apontados, mãos nas cadeiras, queixos empinados e adrenalina em ebulição. Respire fundo, conte até 10, até 1000, dizem. Com a alternativa de se enrodilhar em casa, vestindo uma calça de plush, chinelo e camisetão na frente da TV, afastado do mundo cruel.

Ou você pode fazer parte de uma campanha pelo desarmamento.

Isso mesmo, uma campanha pelo desarmamento. Mas uma bem simplezinha, assim, feita em casa. Desarmar o mau-humor das pessoas com quem você topa por aí, a cara amarrada da vendedora, o bico da dondoca sempre atrasada para nada, do mal- educado que acha que assobiar para mulheres é elogio, o sujeito prepotente que pensa que pode dizer o que quiser a quem lhe der na veneta, o olhar suspeito do cara passando com capuz na cabeça e mãos nos bolsos: bom dia! Boa tarde! Boa noite! Desarma mesmo, experimente.

large

No trânsito, dê a vez, use o pisca, saia de casa com tempo.

Sorriso, então, é devastador. Desmonta o oponente, seja ele o atendente do banco, a vendedora mal-humorada ou o professor de rumba.

Abraço também desarma os de mal com a vida, os pedantes e os egocêntricos, os deprimidos e os céticos – nenhum resiste a um bom tap-tap nas costas.

Elogio? Um perigo, deixa os amargos e irritados de plantão totalmente sem rumo.

Falar com jeito, por pior que seja a coisa que precisa ser dita? Produtos estragados, serviços demorados, motoristas destrambelhados? Dá pra dizer o que você pensa de um jeito educado. Difícil? Treine na frente do espelho.

E quando tudo foi tentado e a batalha parece perdida, o negócio é atacar com a arma  secreta, aquela que desmonta de vez: pergunte se está tudo bem, você quer conversar? E ouvir, de verdade. Fim de guerra.

Você também pode gostar de…

calvinharodotira505Contratempos

Captura de tela 2011-06-22 às 17.07.12Humores

Captura de Tela 2012-01-01 às 11.54.47Invisíveis

Read Full Post »

A falta que me faz

1185066_558551274203041_962401353_nNa escola deveríamos ter uma matéria que ensinasse a lidar com a sensação de insatisfação. Pais deveriam explicar aos filhos esse vazio, essa falta de alguma coisa que vai acompanhá-los para sempre. Avisar que vai variar a intensidade, o motivo, a duração, mas vai estar sempre aí dentro de você, meu filho. Querendo algo que não tem. Serão coisas, pessoas, lugares, sensações. E que isso não é ruim, não. Sabendo usar, essa carência é o combustível que nos move. Como quando viajamos:  lá, queremos coisas daqui. Quando voltamos, sentimos falta de coisas de lá… No inverno, queremos sol. No calor, o frescor dos dias gelados. Se o cabelo é crespo, ansiamos por lisos. Aquela calça, aquele sapato, aquela festa, aquela atenção. Aquele abraço que está acontecendo ali ao lado.

DSC03742

A gente precisa da sensação de necessidade para tocar a vida. Como conseguir fazer dieta se nunca tivermos aprendido a sair da mesa insatisfeitos? Como querer que um jovem aceite esperar até juntar dinheiro para comprar um carro, se tudo que desejou quando criança sempre lhe caiu imediatamente no colo? Que graça tem ter tudo e não desejar nada?

Preciso ter fome para querer comer, preciso querer enxergar para acender a luz, preciso precisar. Quem não chega a sentir faltas, vai atrás do que? Então assim vamos, inquietos, aflitos, incompletos, em movimento, buscando o que nos falta. Uma vez chegando lá, nova falta. E a busca continua. Ainda bem.

Filmes que falam da busca, da falta, de alguém, de algo.

Você também pode gostar de…

DSCN3469Tudo por você?

Captura de Tela 2013-07-02 às 11.17.00Escolha 1/2 dúzia

Captura de Tela 2012-10-15 às 10.24.55Espelhos

Read Full Post »

Older Posts »