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Archive for the ‘Histórias’ Category

Curitiba é conhecida pela quantidade e qualidade de seus parques. E são muitos, mesmo, e um é especial, o Bosque do Alemão. Além de estar imerso em uma floresta com grandes escadarias e estruturas de madeira, ele tem um caminho dentro do bosque onde andando, de tempos em tempos, você encontra painéis de azulejos que contam a história de Hänzel und Gretel (João e Maria). Bem no coração dessa pequena floresta está a Casa da Bruxa, que no nosso caso é uma simpática velhinha que, ao invés de comer criancinhas, prefere contar histórias para elas. A casa abriga uma biblioteca onde meninos e meninas podem deixar a imaginação voar, ao pé de uma lareira acesa, quando o frio por aqui aperta.

Estruturas de madeira e vista de Curitiba.

João e Maria nos azulejos. Dá vontade de deixar pedrinhas marcando o caminho.

Casa de Bruxa. Boa, porque conta história!

Tem bolacha da D. Erika no Bosque!

Falando em crianças e livros, me lembrei de mim, criança, e da minha relação com livros. Dá pra fazer uma lista das coisas que esse simples pensamento me traz:

1. as coleções da Condessa de Sègur e da Laura Ingalls que embalaram minhas fantasias de menina. Colonização americana e governantas faziam parte do meu imaginário.

2.  minhas caminhadas pelos corredores do Sion, feliz feito um cabrito, mas controlada nos passos como a educação rígida exigia (não me matou. Será que não é disso que nossos filhos sentem falta?). Lá ia eu pegar mais um livro para encher a minha ficha de biblioteca.

3. na casa de meus avós, em Blumenau, nas frias férias de julho, a alegria que sentia ao encontrar as coleções de Condensados da Seleções de meu tio Werner, livros em português! Meu avô era um leitor que levava a coisa a sério, mas só lia (e falava) em alemão.

E falando em crianças e livros, também me veio o filme You’ve Got Mail, que tem essa biblioteca:

E essa cena:

Essa conversa sobre livros e crianças tem um objetivo, você já deve ter percebido, certo? O Dia das Crianças está chegando e esse é um excelente momento para você analisar livros infantis que tiver em casa. Ou arrecadar com pessoas que conheça. E gibis, sempre! E não precisa ser só livro infantil, pois hoje temos diversos destinos para os livros que você pode “soltar” de suas estantes. Chega de prender livros. Eles estão loucos para seguir viagem.

Se for de Curitiba, encaminhe-os para nós, para a Freguesia do Livro.  Se for de algum outro lugar, procure iniciativas como a nossa, existe muita gente incentivando a leitura por aí. Para saber mais sobre esse trabalho: www.freguesiadolivro.com.br

Três coisinhas para encerrar esse post compridíssimo:

1. quando fui tirar as fotos no Bosque do Alemão, vi um taxi parado na frente do parque e seu motorista catando amoras! Aproveitei também!

2.  Onde gosto de ler: A a combinação cama-abajour-livro para mim é imbatível, e com um friozinho lá fora, então, sensacional. Ok, a cama pode ser substituída por sofá, rede, toalha na areia, cadeira macia, colo. Ponto de ônibus, saguão de aeroporto, assento de avião, sala de espera de dentista, quem se importa. Relação sem endereço, ela acontece em qualquer lugar.

E você, onde gosta de ler? Conte-me, por favor.

3. Agora chega! Mais uma cena de um filme que gosto e que tem toda a história relacionada a um livro que precisa ser encontrado para que tudo dê muito certo. E o livro é o Nos Tempos do Amor e do Cólera, de Gabriel García Marquez. Sensacional.

Para saber mais sobre o Bosque do Alemão, visite o blog Circulando por Curitiba.

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Jabuticaba

Perca um livro

Antes dos livros

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Quando assistíamos os Jetsons (estou falando para aquela geração que via desenhos lá pelos anos 70) e víamos a Sra. Jane Jetson falando com seu marido pelo telefone e vendo-o em uma tela, não imaginávamos que íamos achar o skype uma coisinha corriqueira e precisar pentear o cabelo antes de atender uma chamada…


Vivemos num mundo rápido e lotado de estímulos. Informações em avalanches nos chegam o tempo todo. Muito mais do que conseguimos guardar e muito mais do que queremos realmente saber. O efeito disso tudo sobre nossa capacidade de memória iremos colher lá na frente, neste tempo de agendas que nos dão de presente os horários do médico e afins, os telefones de A a Z, as datas de aniversário de familiares e amigos. Não precisamos mais guardar recados, discussões são decapitadas por uma consulta no Google e quem tem tempo de jogar baralho ou fazer palavras cruzadas para manter os neurônios em forma?

Memória pouco exercitada que vai ficando preguiçosa pela falta de uso e porque tende naturalmente ao declínio com o passar dos anos. Mas a forma de preservar nossas lembranças ainda é a mesma de sempre: parentes, amigos e fotografias. Pais, avós, irmãos e tios são a nossa história, cada um é ou sabe um pedaço, peças de um todo sobre tudo o que veio antes de nós.

Nos últimos anos de vida de minha avó, sempre que a visitava espremia causos antigos. Bom exercício, pois era a memória que lhe tinha restado, já que os acontecimentos recentes desapareciam no ar. O que começou como entretenimento e estimulação mental para ela, acabou se tornando um momento importante para mim, ouvindo-a contar coisas de sua vida em um tempo tão remoto que nem parecia real. Vida de interior, uma galinha de estimação, namoro com aquele lindo alemão que chegou em um cavalo…

Avós deixam lembranças materiais, ainda bem. Essa tem sua história aqui.

E essa, da outra avó, pode ser conhecida nesse post.

Amigos também fazem bem para a memória. São laços que amarram acontecimentos, afetos, aventuras, tristezas e diversão em uma rede que nos constrói. Gente com passados conhecidos, com histórias interligadas e que, cada vez mais, sabe o quanto é bom estar junto para simplesmente lembrar.

E as fotografias? Ficam para o próximo post.

O texto abaixo despertou o texto acima. Escrito pela tia-avó da Maria Amélia, me fez pensar em como desperdiçamos as lembranças de nossos avós e pais, detentores de sabedoria e informações que precisam ser compartilhadas. Pergunte, escute, aprenda, conheça-se através das lembranças de seus familiares.

A velha da família

Toda família deveria ter a sua velha; traço de união entre o passado fugidio e o futuro ignorado, entre os que partiram e os que hão de vir, entre o que foi, o que é e o que será.

Uma velha guardiã de saudades, pastora de sombras. Que conte a história da família, casos que fazem rir, casos que fazem chorar.

Que diga o nome dos desaparecidos, o jeito que tinham, o modo de falar, de olhar, os gestos, as palavras que usavam, daqueles por outros esquecidos ou nunca sabidos, mas que a velha da família guardou no coração.

Uma velha que conheça a gesta familiar, uma velha repositório da tradição, arquivo da gente morta, para consulta dos vivos.

Uma velha que, como um baú de sótão, encerra trapos de vida, farrapos de tempo, coisas imprestáveis, mas que já serviram, belas coisas fenecidas, lembranças perdidas…

Uma velha, que como um álbum de retratos, conserva a imagem, lado a lado, de vivos e mortos misturados.

Os mortos, menos mortos por estarem ali, os vivos, menos vivos, porque sabem que, como os outros, um dia partirão.

Eu sou uma das velhas de minha família e vejo aflita aproximar-se a hora da separação… Quero ter, quando o momento for chegado, uma outra velha a quem passar a tocha que ilumina os recantos do passado.

Ecila

Dezembro de 1989

Imagens: Pinterest, Weheartit e Norman Rockwell

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DSC_0335Rendas e história

Ganhei da minha mãe

Cada cor no seu lugar. Cada lugar com sua cor.

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Quem não desiste? De fazer algo, de chegar em algum lugar, de levar adiante uma ideia que parece não ter futuro? Dietas, promessas, decisões para as quais faltou tempo, paciência, planejamento. Desistimos quando entendemos que alguma coisa é inatingível, arriscada ou simplesmente não vale a pena.

Desistências acontecem em todos os setores de nossas vidas. São naturais e fazem parte do percurso. Só o que se pode questionar é o tempo cada vez menor para que se jogue a toalha, que se vire as costas, feche as portas, enterre o assunto, que se ponha uma cruz em cima. Cada vez mais levianamente desistimos. De projetos, desejos ou mesmo de objetos: nesse mundo imediatista, todos os dias desistimos de nossos I-Phones, I-Pads, I-Pods, celulares e afins que ficam velhos em um piscar de olhos. Desistimos da casa de cerquinha branca com flores nas janelas abertas porque também desistimos de vencer a violência que impera. Casamentos? A maior vítima da falta de persistência. Não deu certo? Adeus. A fila anda.

Eu desisto, às vezes. Minha lista de projetos idealizados é bem menor que a de projetos realizados. Não por desistir de alcançar os objetivos, mas por simplesmente deixá-los ali, esperando ser começados (pensando bem, essa também é uma forma de desistir…).

Nessa caixa de camisa mora um livro não terminado. Desistido?

No artesanato, vivo colhendo recortes, modelos, ideias, faço tentativas frustradas pois nem tudo sai como imaginado. Aí… desisto. Vou acumulando pequenas desistências que nada mais são que provocações para novos projetos.

Provocações.

E aqui, um cara que não desiste nunca!

Imagem janela e flores: http://www.weheartit.com

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Resistências

Roma by bus

Outono – A arte de envelhecer

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Para que tudo isso? Já fiz essa pergunta por aqui e eu mesma respondi que das coisas que temos em excesso, muitas têm motivos sentimentais para se tornarem intocáveis: “Isso ninguém tira daqui, e ponto”. São objetos que nos foram dados ou pertenceram a pessoas que fazem parte de nossas histórias ou que compramos em dia-local-companhia especiais. Como diriam minhas amigas psicólogas, são coisas que significam. Têm um sentido para quem as guarda, protege e exalta, pequenos altares emocionais onde habitam os valores de cada um, formas de respeitar as memórias daqueles que as fizeram, presentearam ou apenas deixaram quando se foram.

Aquilo que hoje guardo e cuido, ficará. Será que fará parte da história de alguém?

Minhas madeiras com história, no momento têm como artista principal essa caixa do faqueiro de minha avó. Quando fomos, meus irmãos e eu, ver o que havia ficado em sua casa, essa caixa estava lá, largadinha, sem o faqueiro que foi se perdendo pela vida. Caixa grande com um verniz que resolvi eliminar  e descobri uma madeira linda por baixo. Agora vai ser pintada e valorizada. Bem-vinda, caixa de faqueiro da minha avó. Isso ninguém tira daqui, e ponto.

E aqui a caixa já com sua nova fachada.

Caixa antiga com cara nova.

Mesa de canto antiguinha que ganhou cores e flores:

Baú que meu avô construiu. Faz tempo que fiz os girassóis, de que nem gosto mais. Hora de rever a história.

Canecas também têm história. Pelo menos na minha casa. Elas vão se acumulando, uma porque eu trouxe da viagem dali, outra de uma viagem de lá, uma porque ganhei dos filhos, duas porque são as preferidas do marido, uma ainda porque só naquela consigo tomar o café perfeito. É, como eu sempre digo: cada um do seu jeito, cada um com sua história.

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Casa com história

Madeira em flor

Arte no atelier

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Sou meio repetitiva, eu sei. Meus assuntos favoritos são sacolas plásticas, produção assustadora de lixo, o respeito à diversidade e às habilidades de cada um, a inclusão de pessoas com deficiência, o compartilhamento de leituras, a capacidade de escolha de sermos quem e como somos.

Essas teclas tão batidas me caracterizam, são as memórias que vou deixar para quem me conhecer. As marcas palpáveis estão aí, carimbos que já deixei: meus lindos filhos, a educação e oportunidades que receberam, dois livros e tantas caixas e bancos pintados, espalhados por aí e que vão durar muito mais do que eu.

Minhas melhores marcas.

Caixas. Muitas caixas.

Me perdoem se estou parecendo fatalista, mas tudo isso é uma volta enorme para retomar a tecla preferida: podemos escolher como queremos ser lembrados. Vou te deixar aí pensando nas memórias que está deixando e vendo suas alternativas. Não é teste, não tem pontos no final. É apenas você, exercendo seu direito de escolha e de decidir qual a marca que vai deixar:

(  ) Otimista  (  ) Pessimista  (  ) Bem-humorado  (  ) Mal-humorado  (  ) Ativo  (  ) Passivo  (  ) Egoísta  (  ) Altruísta  (  ) Acolhedor  (  ) Crítico  (  ) Beijo e abraço   (  ) Aperto de mão  (  ) Sorriso fácil  (  ) Olhar desconfiado  (  ) Me dá um limão que eu faço uma limonada  (  ) Tudo de ruim acontece comigo  (  ) Da vida nada se leva  (  ) Quero mais e mais  (  ) O que faço serve de exemplo (  ) Vou ficar na vaga de deficientes só um minutinho…

Uma marca que tenho certeza que vou deixar é minha Nêga Maluca, receita da minha Tia Dóris, e que fez parte da história de meus filhos e todos os seus amigos que partilharam lanches conosco. Aqui está ela:

A receita está  nesse vídeo, da minha filha Marina no Confissões de Uma Doceira Amadora:

Nêga Maluca

2 xícaras de açúcar

2 xícaras de farinha de trigo

1 xícara de chocolate em pó (eu misturo Nescau e Chocolate do Padre)

1 colher de chá de fermento em pó

1 pitada de sal

3 ovos

1 xícara de água morna

1 xícara de óleo de canola

Peneirar os secos.

Pré-aquecer o forno. Em uma tigela, bater os ovos por uns 5 minutos com batedeira, adicionar a água e logo em seguida o óleo de canola. Ir colocando os secos (peneirados) aos poucos e continua batendo com a batedeira. Colocar em assadeira retangular média, untada com óleo. Assar em forno médio por 20 minutos e em forno baixo por mais 10 minutos. Depois de esfriar cobrir com a calda de chocolate.

Calda de Chocolate

1 copo de leite

4 colheres de sopa de açúcar

5 colheres de sopa de chocolate em pó (Nescau e do Padre)

1 1/2 colher de sopa de margarina

1 pitada de sal

Coloca tudo em uma panela e cozinha por uns 10 minutos em fogo médio, até que engrosse um pouco.

Mais marcas pessoais em…

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Grécia 2014

Coleções

Micos Ecológicos

Imagem de pegadas e carimbos: http://www.weheartit.com

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No Dia das Mães, acontece o que todo mundo já sabe: mães ganham presentes. Flor, roupa, livro, abraço, beijo, almoço em família. Mas eu hoje resolvi inverter. Em vez de pensar no que vou dar, estou aqui pensando em tudo que ela já me deu, em tudo que ganhei da minha mãe.

1. O óbvio: vida, a possibilidade de existir.

2. O pacote completo: educação, limites, bom dia, boa noite, com licença, obrigada. Amor e disciplina. Conflitos, brigas, pazes.

3. Modelo: pais são exemplos a serem imitados, para o bem e para o mal. O exemplo que recebi em casa me fez boa mãe, pessoa que respeita os outros, que acompanha mas não invade. Aprendi com a minha mãe.

4. Habilidades: não todas nem na mesma intensidade. Mas ganhei da minha mãe a capacidade de desenhar, de aumentar riscos, de levar jeito com um pincel.

5. Cozinha: ela sempre foi uma cozinheira rebelde mas formidável. E minha aprendizagem culinária tem sua glória dividida com outras mulheres importantes em minha vida e todas excelentes cozinheiras, minhas avós e minha sogra Despina, outra mãe que muito me tem dado.

6. Conceito mãe-polvo: dá para ser mãe presente, dá para fazer geleia, levar 4 filhos em aulas diversas, bordar tapetes, costurar vestidos. Aprendi a ficar a um passo da perfeição, mas me empenhei em desaprender. Descobri que não ganhamos mais pontos no céu se fizermos tanto assim. Dá para ser boa mãe com menos trabalho, também.

7. Maternidade: ganhei da minha mãe o meu jeito de ser mãe. Espero que meus filhos também estejam ganhando de mim todos os dias os presentes que ganhei dela por toda uma vida.

Feliz Dia das Mães.

Na foto acima falta uma irmã, recém-transformada em peruana. Como ela é muito mais nova, não aparecia nessa foto do século passado. Espero que me perdoe.

Algumas obras da Dona Christa.

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Imagem sapatinhos: http://www.weheartit.com

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Você já parou para pensar no quanto os livros que leu na infância e na juventude determinaram a sua trajetória? Ou se as escolhas do que líamos e relíamos já eram uma amostra de nossas tendências? Eu acredito firmemente que o que lemos nessa época de nossas vidas deixou marcas e lembranças.

Às memórias: a botinha que a Emília fez de algodão e clara de ovo quando ficou minúscula em A Chave do Tamanho, do Monteiro Lobato.  A casa na árvore do Robinson Crusoé, o sofrimento das 4 irmãs de Mulherzinhas, a colonização americana com seus  potes de conserva da coleção de Laura Ingalls, a dor no coração lendo Meu Pé de Laranja Lima, o eterno otimismo da Pollyanna. Os mistérios de Rebecca, as aventuras dos Hardy Boys, as delícias da Recreio, as bobagens da Mad. Tudo faz parte do que sou agora, para o bem e para o mal.

Inevitável, portanto, que com esse grande amor pelos livros, eles fossem sendo acumulados e apertados em estantes pela casa. Demorou, mas há pouco percebi: eu não releio rigorosamente nada. Lido, está lido (exceção feita aos Cem Anos de Solidão de Garcia Marquez). E Isabel Allende, ok. Os outros… Talvez lá no fundo da mente algo me alerte ao pouco tempo que terei para ler todos os livros, ver todos os filmes, visitar todos os lugares. Portanto, ler novamente uma história, não cabe.

Então olho meus livros e penso que eles poderiam estar estimulando, distraindo ou divertindo outras pessoas. Difícil desprender-me? Muito. Mas vamos lá, vamos começar.

Ângela contou a sua história. A Freguesia do Livro começa aqui:

Sei sobre livros desde as minhas mais remotas lembranças. Não existe uma lista dos mais amados, existiu sempre a presença deles.  Não me lembro do meu pai contando histórias antes do meu sono chegar. Lembro dele lendo, jornais, livros, revistas. A memória dos livros da minha vida vem através dele. Sábado íamos à revistaria Ponto Chic da família Sunye, com uma luminária de neon. Ele sempre comprava algo pra mim, revistinhas com bonecas de papel que trocavam seus vestidinhos (uns que se recortava e dobrava umas alcinhas) ou uns álbuns onde o pincel molhado passava e a imagem ficava colorida, era mágico. Outro lugar mágico como um templo era a biblioteca da Escola Paroquial São Francisco de Paula, quando era a minha vez de ir trocar meus livros o mundo podia até parar que eu nem notaria. O cheiro, o silêncio, a presença tranquila dos livros me deixava feliz. Uma única vez meu pai não aprovou a minha escolha: O Diário de Ana Maria. “Este livro não é para a sua idade…” Não é preciso dizer o quanto eu me interessei por ele!

A Jô queria uma lista dos mais amados, não há…  Não tem data, nem tempo determinado, só sei que sempre lidei com os livros, fosse para estudar, fazer cópias infindáveis na escola, brincar olhando figuras com meus amigos, e principalmente com alguma história que você fica torcendo pra chegar logo a hora de poder ir ler na cama. Os livros me fazem companhia desde que me entendo por gente. Doar meus livros para a Freguesia do Livro foi um trabalho lento e difícil. É uma nova fase! Espero que eles me ajudem a conseguir motivar pessoas a descobrir a magia que há dentro deles, assim como tentei fazer com todas as crianças que conviveram comigo.

E você, do que lembra?

Continuamos recebendo livros para a Freguesia do Livro. Participe. Desprenda-se. Livros precisam viajar por muitos olhos.

www.freguesiadolivro.com.br

www.facebook.com/freguesiadolivro

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