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Archive for the ‘Biblioteca’ Category

Frase batida, eu sei: uma biblioteca não é feita de livros, mas sim de leitores. Se isso é óbvio, então  me responda: o que produz um leitor?

Naquele mar de crianças que atendemos na biblioteca que a Freguesia do Livro montou na Vila Zumbi, algumas com vidas tão cheias de problemas que ler ou não ler deveria ser detalhe, muitas nos ignoram solenemente. Outras tentam se interessar e levam livros para casa, mas aí o descaso atávico e familiar faz com que os livros não sejam valorizados e, quando e se voltam, aparecem com cara de quem passou por maus bocados. Mas tem dois ou três que, assim, do nada, amam os livros. No meio daquela dura realidade, sentam-se concentrados, escolhem com critério, cuidam ao levar os  títulos escolhidos e voltam todos pimpões para a troca na semana seguinte. E nos brindam com presentes como esse:

Alguém arrisca um palpite? Modelo em casa? Pouco provável, a irmã não demonstra o mesmo interesse. Acertamos nas primeiras indicações de leituras? Com certeza essa alternativa encheria nossa bola, mas ele já começou assim, leitorzinho voraz. É mais inteligente que os outros e por isso lê, ou porque lê é mais inteligente que os outros? Ou é só mais curioso? Ou os livros chatos obrigatórios da escola não amorteceram seus voos literários, como fazem com tantos?

Então é isso, não sabemos o caminho, mas não desistimos de procurar. Lá no fim dele sempre pode ter alguém que está só esperando um livro para se descobrir leitor.

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Paixões

Antes dos livros

Nossos livros inesquecíveis

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Tenho falado muito sobre livros. Sobre os que gosto, sobre nossa biblioteca, sobre o desapego. Sobre meu trabalho com a Freguesia do Livro, que nova vida a livros esquecidos em estantes. Virei craque em encaminhar livros de um dono antigo a outro novo, de estantes onde descansam ociosos para mãos e olhos ávidos por novidades. O livro que é velho, lido e esquecido para uns, tem o frescor do novo para tantos.

Mas tem alguns que, mesmo que a gente tente, empurre pra cá e pra lá, ninguém quer mais. Juro, nem sebos querem. É triste, mas tem livros que simplesmente vão para o lixo (reciclável, pelo menos).

Agora encontrei muitas ideias de coisas que se podem fazer com páginas de livros. Uma última lufada de vida e eles voltam a desempenhar um belo papel em nossas casas.

* considerando o primeiro comentário recebido para esse post e o fato de que algumas pessoas que entrarem aqui não terão a dimensão completa do meu amor aos livros, declaro:  quando falo em livro velho, pense em algo despedaçado, desfolhado, sem eira nem beira, para o qual tudo já foi tentado. É esse. Os outros, ainda podem passear!

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Páginas de livros usadas em obras de arte

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Curitiba é conhecida pela quantidade e qualidade de seus parques. E são muitos, mesmo, e um é especial, o Bosque do Alemão. Além de estar imerso em uma floresta com grandes escadarias e estruturas de madeira, ele tem um caminho dentro do bosque onde andando, de tempos em tempos, você encontra painéis de azulejos que contam a história de Hänzel und Gretel (João e Maria). Bem no coração dessa pequena floresta está a Casa da Bruxa, que no nosso caso é uma simpática velhinha que, ao invés de comer criancinhas, prefere contar histórias para elas. A casa abriga uma biblioteca onde meninos e meninas podem deixar a imaginação voar, ao pé de uma lareira acesa, quando o frio por aqui aperta.

Estruturas de madeira e vista de Curitiba.

João e Maria nos azulejos. Dá vontade de deixar pedrinhas marcando o caminho.

Casa de Bruxa. Boa, porque conta história!

Tem bolacha da D. Erika no Bosque!

Falando em crianças e livros, me lembrei de mim, criança, e da minha relação com livros. Dá pra fazer uma lista das coisas que esse simples pensamento me traz:

1. as coleções da Condessa de Sègur e da Laura Ingalls que embalaram minhas fantasias de menina. Colonização americana e governantas faziam parte do meu imaginário.

2.  minhas caminhadas pelos corredores do Sion, feliz feito um cabrito, mas controlada nos passos como a educação rígida exigia (não me matou. Será que não é disso que nossos filhos sentem falta?). Lá ia eu pegar mais um livro para encher a minha ficha de biblioteca.

3. na casa de meus avós, em Blumenau, nas frias férias de julho, a alegria que sentia ao encontrar as coleções de Condensados da Seleções de meu tio Werner, livros em português! Meu avô era um leitor que levava a coisa a sério, mas só lia (e falava) em alemão.

E falando em crianças e livros, também me veio o filme You’ve Got Mail, que tem essa biblioteca:

E essa cena:

Essa conversa sobre livros e crianças tem um objetivo, você já deve ter percebido, certo? O Dia das Crianças está chegando e esse é um excelente momento para você analisar livros infantis que tiver em casa. Ou arrecadar com pessoas que conheça. E gibis, sempre! E não precisa ser só livro infantil, pois hoje temos diversos destinos para os livros que você pode “soltar” de suas estantes. Chega de prender livros. Eles estão loucos para seguir viagem.

Se for de Curitiba, encaminhe-os para nós, para a Freguesia do Livro.  Se for de algum outro lugar, procure iniciativas como a nossa, existe muita gente incentivando a leitura por aí. Para saber mais sobre esse trabalho: www.freguesiadolivro.com.br

Três coisinhas para encerrar esse post compridíssimo:

1. quando fui tirar as fotos no Bosque do Alemão, vi um taxi parado na frente do parque e seu motorista catando amoras! Aproveitei também!

2.  Onde gosto de ler: A a combinação cama-abajour-livro para mim é imbatível, e com um friozinho lá fora, então, sensacional. Ok, a cama pode ser substituída por sofá, rede, toalha na areia, cadeira macia, colo. Ponto de ônibus, saguão de aeroporto, assento de avião, sala de espera de dentista, quem se importa. Relação sem endereço, ela acontece em qualquer lugar.

E você, onde gosta de ler? Conte-me, por favor.

3. Agora chega! Mais uma cena de um filme que gosto e que tem toda a história relacionada a um livro que precisa ser encontrado para que tudo dê muito certo. E o livro é o Nos Tempos do Amor e do Cólera, de Gabriel García Marquez. Sensacional.

Para saber mais sobre o Bosque do Alemão, visite o blog Circulando por Curitiba.

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Jabuticaba

Perca um livro

Antes dos livros

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Sempre gostei de ler. Desde pequena, com uma luzinha de abajur, lia brigando com o sono. Consegui fazer de meus filhos, apesar da luta injusta com computador e televisão, bons leitores de livros de papel.

E sempre fui muito ciumenta com meus livros. Escrevia meu nome dentro, mês e ano em que os tinha ganho ou comprado, algum comentário sobre o que tinha achado deles. Carimbo ex-libris, número do meu telefone na frente e na última página, caso o emprestador chegasse ao final da história esquecendo que eu esperava a devolução, tudo anotado em uma ficha, tipo bibliotecária zelosa e guardadora. Olhava a minha estante com orgulho, livros que representavam meu modo de ser de acordo com a idade: os filosóficos da adolescência, os romances de quando os filhos eram pequenos, os suspenses que hoje me mantêm acordada.

Eu sei exatamente o momento em que tudo isso se quebrou: um dia, emprestando um livro de uma amiga, abri na primeira página e observei que ela tinha (oh, céus!) esquecido de colocar seu nome ali. Ao que me respondeu simplesmente: “não coloco nome nos livros. Eles não precisam ser só meus, devem passear por aí”.  O famoso clic, sabem como é? Desde então tenho praticado o desapego.

O primeiro movimento foi eliminar a ficha de empréstimo. Quer devolver, devolva. Se não, tudo bem também. Em seguida percebi que tirar livros de minha estante (que não é um coração de mãe, portanto tem seus limites de espaço), abre lugar para novos. Para o desejo de novas leituras. E permite que os livros sejam reutilizados, usados por outras pessoas. E me ajuda a manter uma certa ordem, que é impossível quando temos demais.

O passo seguinte foi começar a Freguesia do Livro, amplamente divulgada aqui, que se transformou numa ONG que atua com força em Curitiba e muitos outros lugares, espalhando livros livremente.

E tem ainda uma ideia meio antiga, que compartilho aqui na esperança de pescar um adepto. É o “Perca um livro”, projeto internacional de incentivo à leitura. A ideia é “perder” um livro em um local público onde poderá ser achado e lido por outra pessoa que por sua vez deverá fazer o mesmo. Simplesmente perca um livro. Ele certamente vai chegar a algum lugar.

Tudo isso não é tão fácil quanto parece, não se deixe enganar por minhas levianas palavras. Os livros queridos são difíceis de libertar. Mas é um exercício que podemos tentar. Coloco aqui o meu preferido antigo e um recente que apreciei. Te convido a fazer o mesmo.

Meu livro antigo preferido:

Um que li e gostei recentemente.

Desafios:

1. dasapegue-se de seus livros. Olhe-os como algo que já cumpriu o seu papel e que está na hora de levar sua história para outro lugar, outro olhar, outra pessoa. Você pode doar ou pode simplesmente esquecê-lo por aí.

2. espalhe essa ideia. Uma amiga, quando soube da necessidade de revistas em quadrinhos para nossa biblioteca, pegou uma caixa de papelão, escreveu “Precisamos de gibis. Obrigada” e colocou no vestiário de sua bela academia de ginástica. Encheu a caixa em poucos dias e nossas crianças adoraram!

3. pense em qual é seu livro preferido. E qual é o livro que leu recentemente que mais te agradou. Entre esses dois extremos garanto que existem muitos títulos descansando abandonados em suas estantes…

Imagens: Pinterest e Weheartit

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Bons motivos para doar livros

Para que tudo isso?

Reduza, reuse

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Atuando na biblioteca instalada em uma instituição na Vila Zumbi,  pudemos observar que nossa freguesia tem preferências.

Pouco contato e motivação para a leitura, além de evidentes dificuldades na capacidade de ler (essas por problemas educacionais ou de aprendizagem da própria criança) fazem com que algumas crianças nos olhem de modo um pouco desconfiado. Como esperado, percebemos que revistas em quadrinhos são a porta de entrada.

Inicialmente tentamos elevar o nível da leitura, oferecendo nossos lindos livros adequados a cada idade, mas nem todos estão prontos. É preciso cativar, deixar cada criança ler o que lhe interessa e o que lhe é possível. E, nesses quesitos, gibis são campeões. As revistas em quadrinhos funcionam como começo – a criança que volta para devolver as que emprestou e pegar outras vai se sentindo mais à vontade para olhar em volta, espichar os olhos para os livros nas estantes, arriscar um com poucas páginas e letras grandes…

Então é isso. Precisamos de mais gibis! E contamos com vocês! Preferência nacional pela Turma da Mônica. Quem é de Curitiba, entre em contato e combinamos alguma coisa. E quem não é… Tem Sedex, certo?

Informe-se sobre esse movimento literário e participe, colabore, copie a ideia. Tudo bem, a gente só quer que livros circulem. A gente só quer que as pessoas leiam.

www.freguesiadolivro.com.br

www.facebook.com/freguesiadolivro

Pontos de leitura da Freguesia do Livro

 

Mais livros e afins em…

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Amores literários

Isabel

Bons motivos para doar livros

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O que você verá aqui é o relato da primeira ação da Freguesia do Livro. Ela cresceu e agora está fazendo muitas bibliotecas por aí. Informe-se aqui: www.freguesiadolivro.com.br

Freguesia do Livro

A Ângela tinha muitos livros infantis na sua vida, teve uma idéia e eu entrei de carona. Quem sabe você também não se anima?

Aos fatos: a Freguesia do Livro é uma iniciativa de pessoas interessadas em dar acesso aos livros a uma população pouco estimulada em relação à leitura. Instigando o hábito de ler e ampliando o gosto pela leitura em si, levará crianças e jovens à descoberta deste prazer.

Queremos um movimento cultural que interligue livros que estão esquecidos em prateleiras com crianças e jovens que poderão ser apresentados ao mundo da leitura, respeitando seus focos de interesse.

A Freguesia do Livro vai estabelecer sua biblioteca na Sociedade Crescer, sob responsabilidade de nossa amiga Maria Izabel Valente, na Vila Zumbi em Colombo, perto de Curitiba. Este projeto existe desde 1994 e é hoje um local que oferece atividades no contra-turno escolar, promovendo o convívio e desenvolvimento de cerca de 160 crianças e jovens que se encontravam em situação de risco social. Este atendimento diário oferece refeições, atividades pedagógicas, esportivas, cívicas e artísticas.

Acreditamos que livros devem circular, levar a sua história para mais de uma pessoa, para mais de uma casa. Construímos nosso acervo a partir de doações de interessados em contribuir com a nossa proposta. Este movimento precisa ser estimulado e promovido!

Você está convidada/o a participar desta nossa iniciativa! Olhe para os livros infanto-juvenis que estão guardados em suas estantes e pense que eles podem levar informação, lazer e fantasia a muitas crianças que poderão aprender a ver o mundo de uma nova maneira.

Ângela & Jô

A festa já começou! Participe!

Quer ajudar? Nos doe seus livros que estão quietinhos em um canto da sua casa. Mande um comentário que a gente se ajeita.

E veja aqui a Freguesia entrando em movimento.

Mais consciência em…

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Deixe seu livro ir

Questão de atitude


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