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Do que me lembro

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Estou ficando esquecida. Já nem me lembro de quantas vezes toquei nesse assunto por aqui. Em certa medida, me incomoda. Me imagino daqui a alguns anos, olhando em volta sem saber quem sou ou onde estou indo (isso às vezes já acontece, quando meu carro assume o comando e nenhum de nós dois sabe para onde vamos). Ok, esse é o pior panorama, mas no meio do caminho até esse extremo, existem os pequenos esquecimentos do dia-a-dia, que enervam. Principalmente se você tem um marido, ou filhos, ou amigos, que te olham com pena e preocupação (exagerada e irritante), como se você estivesse a um pé da amnésia absoluta.

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Portanto, o negócio é cultivar tudo aquilo de que lembro bem. É suspirar de prazer por lembranças antigas que trazem boas sensações, sendo a melhor delas, a própria capacidade, ainda intacta, de recordá-las. Esse tipo de lembrança, necessariamente atada a momentos afetivos, se sedimenta e fica ali, forte, pavimentando a vida da gente, dando um sentido e um lugar para onde voltar, sempre. Preservar memórias boas, num caderno emocional que será acessado nos lapsos de branco total ou pouca retenção das coisas novas. Naquela fase em que lembramos o lanche do primeiro dia de escola e de nosso aniversário de 5 anos como se fosse ontem,  mas esquecemos do que almoçamos … hoje.

Aproveitemos, então, as velhas lembranças, aquelas que fazem parte da gente feito os braços, a pele, os sentidos. As nossas verdadeiras marcas, rugas e cicatrizes. Que ficam na gente, ou nos outros. Como álbuns de registros e fotografias que folheamos em busca do que fizemos e fomos. Um arquivo com um de a ao z de pedaços de nossas vidas: infância, escola, família, natais, avós, sabores, lugares, primeiras vezes, últimas palavras.

Uma memória afetiva, marcada por fatos que, por algum motivo, realmente importaram. E são os que contam, no final da história. Não as chaves do carro que nunca encontramos, nem o celular que sempre fica em algum lugar, nem a cena seguinte do filme assistido quatro vezes, nem o nome/endereço/telefone/aniversário de tantas pessoas e, muito menos, os itens na compra do supermercado. Essas são todas coisas pequenas, que o dia-a-dia trata de devorar. Mesmo que deixem um leve sabor amargo do esquecimento e das perdas cognitivas, pense que esquecê-las aumenta o espaço para guardar o que realmente precisa ser lembrado.

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Vira uma cesta, cheia de lembranças soltas, que a gente leva por onde vai e usa quando bem entende. Eu…lembro do vestido lindo usado no casamento da primeira professora; dos tapetinhos em que aprendi a ler e escrever; das cascas de ovos pintadas por minha mãe com desenhos da Disney para a Páscoa; do jogo de amarelinha na casa em Blumenau; das aulas de violão, de piano, de tricô, de ballet; das pessoas que me ensinaram tudo isso. De desenhar com meu avô, da minha criação de tatu-bolas, do padeiro que chegava com o pão quentinho ao por-do-sol na praia… Das paixões, das gestações, dos fins.  Minha cesta só faz sentido para mim.

E a sua, o que leva?

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captura-de-tela-2011-05-06-c3a0s-19-12-38Quem guarda, tem.

DSCN0374Um bolo de amêndoas

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Meu cunhado italiano Fabrizio Manili é multitarefas: escritor, marceneiro, humorista amador, pizzaiolo, arrumador-de-tudo-que-aparecer-pela-frente e… tem até um emprego, que não sei explicar do que se trata, algo informático e complexo. E tem uma letra linda.

Ele escreve fábulas personalizadas, adaptáveis para crianças que assim o desejem. Muito legal.

Agora ele inventou outra coisa mais bacana ainda – escreveu um Guia de Viagem para Roma, também personalizável, que faz com que pequenos turistas que cheguem à Cidade Eterna sejam os personagens de uma grande aventura: resolver os 7 mistérios  que se escondem em locais como o Coliseu, a Fontana di Trevi e a Basílica de São Pedro.

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Já pensou, você ter uma criança que faz questão de ir conhecer esses pontos turísticos para se sentir ainda mais parte da história?

Achei o máximo. Como a história precisava ser apresentada em várias línguas, fui escalada para traduzir para o português. Então, funciona assim: está indo para a Itália e com você vai um filho, uma filha, um neto ou criança qualquer? Você pode personalizar um Guia de Roma para ele/ela: quando fizer a reserva do hotel, já encomenda o livro que estará no seu quarto quando vocês lá chegarem.

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Ou só quer ter o livro com uma história super legal sem sair do Brasil? Entra no site, preenche o questionário, paga (pouquinho) e o livro vai ser diponibilizado para você na Amazon em poucos dias!

A história é muito divertida e, de brinde, ainda ensina algumas coisinhas sobre 7 cantos de Roma. Recomendo.

O site onde tudo se resolve: www.fabbroscrivano.com

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Livros e leituras

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Abriu a porta e foi

Colorir, colorir

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Tem moda pra tudo. Tudo mesmo. Tem as que a gente topa, as que a gente ignora e as que a gente odeia. Tem a moda da roupa – de longe a mais comum – mas moda invade todo tipo de comportamento: é moda aquele restaurante? Vamos a ele. É moda comer brócoli? Dá-lhe brócoli. Opa, brócoli agora é bandido? Sai de moda.

A moda do momento é colorir. Livros e mais livros estão sendo criados a toque de pressa total e repetição absoluta para que a gente possa brincar de pintar e, se tudo der certo e você tiver alguma habilidade para isso, relaxar.

Mas a Emília Wanda inventou um jeito para personalizar essa moda e dar a ela sentido e significado: desenhos coloríveis feitos sob medida. O meu ficou lindo, conta a minha história.

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De tão lindo, foi parar numa camiseta.

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E aí, para entrar na moda, eu também fiz um desenho para colorir para o lançamento do meu livro (boa essa sensação de dizer “meu livro’… gostei),  A Coceira de Bartolomeu.

IMG_8753 E tenho obtido resultados como esses: da Bibi e da Laura. 11377234_10206382565150564_8602524836319601770_n IMG_8800Você encontra a Emília Wanda aqui no Facebook ou no email emiliawanda@yahoo.com.br

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Bartolomeu é um elefante. Nasceu da necessidade de sossegar duas crianças inquietas em uma viagem de carro. Assim como nasceram tantas outras histórias, inventadas, incríveis e logo esquecidas em algum canto da mente atarefada de uma mãe, na hora de dormir diante do nosso Contador de Histórias. Mas Bartolomeu ficou. Virava e mexia, a gente se lembrava dele.

Passaram-se muitos anos, meus filhos Leo e Marina são pra lá de grandes já. Eu resolvi aprender a desenhar e passei a frequentar aulas no Solar do Rosário, com a Mari Inês Piekas, ilustradora incrível aqui de Curitiba. Dá para ter uma ideia do trabalho detalhista dela, só pela quantidade de passarinhos nessa imagem…

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Passou-se lá um ano, desenhei frutas, verduras, sombreados, hachuras, virei fanática por lápis de cor, pincéis, grafites, lápis pastel e coisas do gênero. Desenhei uma porção de coisas que aparecem aqui pelo blog, sempre na base da muita diversão e pouco compromisso. Fui descobrindo que desenhar é louco de bom, mas que eu não sou louca de boa nisso. Mesmo assim, resolvi dar vida ao Bartolomeu. Ele foi aparecendo e resolvi fazer dele um livro. Para conviver melhor com o resultado e minhas expectativas, dei mais voz ao meu lado artesão e pedi que o pessoal da Insight, que editou o livro e trabalhou as imagens, o deixasse assim, com cara artesanal, nada muito perfeitinho. Como minha professora Mari Piekas participou do processo de criação (e porque sou muito fã dos desenhos dela), a convidei para criar a ilustração central, que ficou apenas… sensacional. Não mostro aqui porque é a surpresa da história.

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A Coceira de Bartolomeu conta a história do simpático elefante Bartolomeu que precisa resolver um problema e sai em busca de uma solução que seja boa para todos, não apenas para ele. Uma oportunidade para conversar sobre superação de dificuldades, respeito à diversidade e convivências.

A Coceira de Bartolomeu“, da Editora Insight, também conta com ilustrações de Mari Inês Piekas, apresentação de Marilza Conceição.

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O Bartolomeu tem uma página no Facebook, acompanhe.

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Captura de Tela 2015-06-07 às 18.52.06 Quando meus filhos eram pequenos, o tempo passado dentro de carros, tanto nos deslocamentos urbanos quanto nas viagens para a praia e afins, tinha sempre um toque de stress.

Na cidade, acontecia porque ambos (um menino e uma menina) tinham uma capacidade sensacional de implicarem um com o outro. Habilidade que crescia exponencialmente no final da tarde, na volta da escola. Essa situação (a de se levarem à loucura mutuamente no banco de trás do carro enquanto a mãe se enfurecia na direção) se repetia, obviamente, em viagens longas.

Consideremos aqui uma mãe cheia de estratégias para distrair crianças e um tempo em que não existiam (ainda bem) os Ipads que paralisam a petizada na frente de telas acachapantes. Aí era um tal de “Quem acha um Fusca branco?”, “Vamos ver quem vê um cavalo?”, “Fui pra Lua e levei…”. Sacolas cheias de lanches, brinquedos, jogos, livros para ler, livros para pintar e toda a parafernália necessária para isso… Mesmo assim, uma hora a coisa degringolava. E, por puro tédio, eles se estapeavam. E gritavam. E choravam. Aí o pai ficava na frente sozinho e eu pulava para o banco de trás para inventar mais distrações e apartar os meliantes.

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Toda essa história para contar como nasceu uma outra história: como nasceu o Bartolomeu. Numa dessas viagens, nas curvas da estrada para Santa Catarina, o Bartolomeu e sua coceira vieram acalmar Leo e Marina. E de tanto ser contado e repetido para meus filhos e depois, para meus pacientes, foi fazendo parte da família. E virou vontade de ser livro. E… virou livro de verdade. Que eu, muito exibida, resolvi ilustrar por conta própria.

Você já pode conhecer o Bartolomeu aqui: www.acoceiradebartolomeu.com.br

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Visitamos a Itália em dezembro e, como uma das minhas propostas é falar desse lugar que faz parte fundamental da família, aqui as novidades.

Trastevere é um bairro que precisa ser visitado. A pé, vendo cada coisa que cada canto esconde. Fomos apresentados por minha cunhada a um restaurante super tradicional e delicioso, daqueles em que a gente encontra a verdadeira comida romana. Provamos as flores de abobrinhas fritas, a pizza e um cacio e pepe, macarrão que eu tento imitar e não consigo. É o Miraggio, onde a cozinheira faz parte da história do lugar e continua ensinando sua cozinha às gerações seguintes. Aqui, com a neta.

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Como a Piazza Spagna é destino obrigatório para quem visita Roma, indico dar uma esticadinha para comer uma massa no Pastificcio, um tiramissú na Pompi e ir na Vertecchi, uma papelaria sensacional ali pertinho. Se gosta de papeis, canetas, tintas, lápis de cor e  coisas do gênero, recomendo.

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Ainda perto da Piazza di Spagna, e ainda sobre comida, finalmente fui conhecer o 34, restaurante que já tinha indicado, mas só meu marido conhecia. Atendida por um garçom que oscilou da maior simpatia à mais profunda indelicadeza, comi o melhor fetuccini ai funghi de todos os tempos. Com o detalhe de que os mega-funghi estavam expostos na entrada do restaurante e foram escolhidos na hora por mim mesma.

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Mais para os lados de Campo de’Fiori, essa confeitaria: i dolci di Nonna Vincenza. Os doces são sicilianos e ali você encontra uma amostra perfeita dos famosos Canolli, eternizados numa fala de O Poderoso Chefão: “Leave the gun, take the canolli”. Doces italianos costumam ser inesquecíveis…

IMG_4502 IMG_4500 Saindo do centro, o que exige carro para chegar, tem o Eataly, do qual falei aqui e que é sempre um programa sensacional. Muita comida italiana de todas as regiões, concentradas num lugar só.

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E para quem for no começo do inverno, lá por novembro, aproveite para saborear os mandarini, umas pequenas tangerinas deliciosas e, alegria das alegrias, sem caroço. Perdi a conta de quantas comi…

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Tudo isso acompanhado a qualquer hora por muito cappuccino, corneto e pizza al taglio. Irresistíveis. IMG_4663

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Se você esperava dicas turísticas, já percebeu que a pegada aqui é alimentar… Na Itália, quem resiste? A boa notícia é que, indo aos lugares onde vai comer bem, é muito provável que vá topar com Vaticanos, Coliseus, Fontanas di Trevi, Piazzas Navonas… Turismo gastronômico é isso, o ponto turístico vem de brinde.

Para finalizar, marido e filha, italianos como eles só, ensinam a fazer Cannoli siciliano. E se divertem muito no processo:

Dicas gerais sobre Roma, dadas pelo italiano acima, você encontra aqui.

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Luna me ensinou

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Tem alguém indo embora da minha casa.

Escolhida a dedo, uma entre outros tão parecidos, Luna chegou aqui há 16 anos e meio. Nesse tempo, nos divertiu muito, nos enterneceu mais, foi assunto, foi o elo, foi a tarefa, o compromisso.  Nos ensinou tudo sobre amor incondicional, sobre energia infinita, sobre a alegria com pequenas coisas: um pedaço de caqui, um pinguim de pelúcia, uma (ou mil) bolas de tênis, um afago no pescoço, uma voltinha na quadra.

Agora, ela está nos ensinando a nos despedirmos. A lidar com perdas, com um ritmo cada vez mais lento e com uma quantidade crescente de remédios. Bexiga solta, estômago delicado, audição e visão quase inexistentes. E vamos levando, prestando os cuidados para  alguém que, por tanto tempo, nos fez sentir ainda mais família.

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