
Para quem não sabe, minha filha está fazendo um longo curso em Nova Iorque. Dito isso, é natural imaginar que a distância gera muita saudade, no nosso caso semi-solucionada por frequentes conversas no skype.
Já para minha mãe, avó da Marina e sempre muito presente na vida da neta, a saudade é mais complicada. Mesmo sendo uma mulher que não se rendeu à evolução avassaladora da tecnologia – opera e-mails com agilidade, edita fotos no computador, grava filmes na Tv a cabo – skype e facebook são o seu limite. Para esses dois, não tem jeito, faz bico e birra. Assim, falar com Marina só através do velho e combalido telefone. Confeiteiras de primeira, trocas de receitas são frequentes entre avó e neta que têm os doces em comum. Dia desses, Marina queria notícias sobre um Apffelstrudel, já que passaria o dia colhendo maçãs em um… (como se chama uma reunião de macieiras? – não vou entrar no Google, exercitemos nossos neurônios).

Longa introdução para chegar ao ponto: ambos, avô e avó, ao começar a conversa internacional com a neta longínqua, fizeram a mesma pergunta: “Marina, você tá feliz?” Ela achou uma graça e me contou. E eu fiquei pensando nisso, o quanto estar feliz é algo instável, condição flutuante que, dependendo da frequência em que acontece em uma situação, um dia, um ano, te dá a medida da tal felicidade. Você está feliz lendo esse texto? Esteve feliz enquanto cozinhava o almoço, buscava os filhos na escola, esperava o ônibus, conversava com um amigo? Ou a alegria tomou conta de você quando sentiu aquele perfume de framboesa que lembrou da sua bisavó, ou quando pensou que sua filha está construindo o futuro dela, quando lembrou do seu filho, ainda pequeno, olhando preocupado para um besouro esmagado e dizendo “quem matô-lo?”. Pequenos tijolos de felicidade que a gente vai empilhando vida afora.

Alcançar a felicidade é algo tão subjetivo quanto utópico e fugidio, estava aqui e agora não está mais. Fazer o possível para estar feliz por mais vezes em um dia, já é um bom começo. Para isso, a gente precisa se fazer essa pergunta de vez em quando, assim de supetão, pegando a si mesmo desprevenido: “Peraí, você tá feliz agora?”. As respostas vão te dar uma ideia do nível de satisfação do cliente, que no caso é você mesmo.
O passo seguinte é bem Pão de Açucar: o que faz você feliz? Vai atrás. A vida é muito curta para ficar deixando para depois. O depois vem tão rápido que… Viu, já passou!
Assim, desejo a todos um Feliz Natal.

E aqui uma receita que Marina aprendeu com sua avó. Clique para ver como se faz. Saudades, filha.

Papo de anjo: receita passada de avó para neta.
Esse post participa da Blogagem Coletiva Pequenas Felicidades, iniciativa do Botõezinhos.

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