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Posts com Tag ‘Livros’

É uma boa ideia, calma. Que tal se juntar a nós numa proposta simpática e simples? Pedágio Literário.  Vai receber amigos para um jantar? Peça que cada um traga um livro de casa para doar – já lido, esquecido e abandonado num canto, é até um favor. Marcou um lanche com as amigas em um café charmoso? Pede um livro de cada. Vai reunir a turma da faculdade para um happy hour? Solicitação de doação de livro neles! Está organizando um evento e não aguenta mais pedir lata de leite em pó ou alimento não perecível? Varie, peça que tragam um livro ou revistas em quadrinhos.

Todo mundo tem um livro que pode doar sem dor, mas nunca parou para pensar nisso. Com uma ideia tão simples, quem sabe a pessoa não vai até sua estante de livros e percebe que mais de um livro poderia sair dali para ir visitar novas paragens…

E o que fazer com os livros que você arrecadar? Manda para a Freguesia do Livro! A gente distribui para novos leitores.

Pratique o Pedágio Literário e depois conte suas experiências para nós. Pode render boas histórias!

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Você tá feliz?

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Você escapou de saber que agora existe a Freguesia do Livro? Que recebemos os livros que você quer (se não quer ainda, pense no assunto) doar e os encaminhamos para biblioteas comunitárias cadastradas em nosso site? Que temos uma página no Facebook que você pode curtir e divulgar tudo isso a seus amigos?

Enquanto você responde a todas essas perguntas, veja essa Bicicloteca que mostra o que pretendemos que aconteça por aqui: livros disponíveis em lugares improváveis.

E você também pode escolher, entre as alternativas abaixo, o modo como vai participar desse movimento literário, que vai tirar livros parados e fazê-los circular:

a) vou doar livros que já li e não vou ler mais

b) vou ser um Ponto de Coleta: receber livros doados e repassar para a Freguesia

c) vou espalhar essa ideia

d) vou criar uma biblioteca comunitária

e) acho que livros não devem ser doados (sé-rio??!!)

Participe de algum jeito, conto com você. Muitos conceitos estão envolvidos no simples ato de doar um livro: consumo consciente, acesso à cultura, educação e responsabilidade social. Tudo isso.

O tempo passa rápido. Livros parados em sua casa estão deixando de ser lidos por outras pessoas. Pense nisso.

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Acervos

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S.O.S. cadernos

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No final desse post você vai ver que venho falando muito de livros nesses quase dois anos de ArteAmiga. Que gosto, que leio, que espalho.

Mas agora a coisa ficou mais séria. Nasce hoje a Freguesia do Livro como um movimento que faz livros circularem, um movimento lítero-libertário.

Estaremos, a partir de agora, recebendo e distribuindo livros para pequenas bibliotecas livres, informais, comunitárias de Curitiba e região metropolitana.

O bom é que a Freguesia do Livro te oferece várias formas de participar:

- analisando seu acervo de livros com um novo olhar, com desapego e generosidade, para permitir que levem lazer e informação a outros leitores.

- se você conhece ou está diretamente envolvido com editoras e livrarias que possam ter estoques sem destino certo, conte para gente!

- a Freguesia do Livro tem um blog que está sendo lançado hoje. Você pode compartilhar o blog e a ideia com amigos. O desapego aos livros é tema de conversas longas e levemente insistentes. Até há pouco tempo, ter livros em estantes enormes era importante.

- se você também tem um blog, pode divulgar nosso selo. Lembrando que nosso foco não é apenas a doação de livros e a formação de pequenas bibliotecas comunitárias, mas também a multiplicação do projeto em outras cidades do Brasil.

- você pode se tornar Freguês: doar livros ou ser um Ponto de Coleta, ou criar um biblioteca livre em algum lugar improvável.

- você pode ser um apoiador do projeto e ter sua marca ou blog divulgada no blog da Freguesia. Editoras, livrarias, bancas de revista, blogs, pontos comerciais que abrigarem pequenas bibliotecas ou receberem doações de livros terão seus nomes associados a um movimento que dá acesso à cultura.

Venha fazer parte!

Você já pode ajudar a Freguesia do Livro: basta levar esse selo para o seu blog!

Freguesia do Livro

<a title=”Freguesia do Livro” href=”http://www.freguesiadolivro.com.br”><img src=”http://i.imgur.com/4ZU6y.jpg&#8221; alt=”Freguesia do Livro” /></a>

 Os posts que falam sobre livros:

Freguesia na Vila Zumbi

Nossos livros inesquecíveis

Quadrinhos

Livros e leituras

Perca um livro

Casa da bruxa

Ler – Por que sim?

Quando nasce um leitor?

Acervos - Deixe seu livro ir

Minibiblioteca

Ler e pescar

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Blogs têm poder. A prova disso é vínculo que hoje temos com Juliette, uma brasileira que mora na Holanda e, apaixonada por livros, veio saltando do blog da Companhia das Letras, para o Livros e Afins e  acabou encontrando  a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa e o ArteAmiga falando da futura Freguesia do Livro.

A história é uma delícia: Juliette, que  acredita com toda a força da alma que o hábito da leitura pode transformar cabeças e vidas e que este hábito, quando adquirido na infância, faz toda a diferença na vida de uma pessoa, mora em uma pequena e linda cidade da Holanda chamada Zundert (cidade onde nasceu Vincent Van Gogh) e trabalha na Biblioteca Central de Breda, cidade com 170 mil habitantes e com 10 bibliotecas públicas. Livros novos chegam todas as semanas para serem inseridos no acervo das 10 bibliotecas e os antigos (em perfeito estado de conservação) são colocados à venda na própria biblioteca por um preço simbólico. “A primeira vez que vi um carrinho abarrotado de livros infantis que iam para venda, fiquei encantada e comentei que queria ter uma varinha de condão para traduzir todos para o português e mandar para o Brasil para bibliotecas comunitárias” escreveu ela.

Aí ela resolveu fazer mágica sem varinha de condão, mesmo. Conseguiu uns 100 livros, depois de contar aos encarregados o quanto crianças brasileiras seriam beneficiadas com essas lindas publicações. Selecionou os que não tinham texto e os que tinham pequenos trechos de escrita… traduziu, imprimiu e colou nos títulos e páginas: livros holandeses transformados em livros que crianças brasileiras poderão aproveitar!

Agora os livros estão chegando e o Sítio Vanessa e a Freguesia do Livro estão todos contentes. Deixo aqui a ideia. Todos podemos fazer pequenas mágicas.

Obrigada, Juliette.

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+ criatividade

Vida nova aos velhos papeis

Ideias voluntárias

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Sempre te vi, sempre te amei. Mas nunca em ti me aventurei.

Declaração de amor às aquarelas e confissão de que me arrisquei a ilustrar a história que escrevi e postei há alguns dias. Não fazia ideia de por onde começar, o que precisava comprar. Aí, olhei minha enorme quantidade de tintas, lápis de cor, guaches e que tais e, na minha antiga e abatida caixa de lápis Caran D’Ache, vi escrito, pasmem, Aquarelável. Fácil, barato e ali, à mão. Restava saber como fazer. Nada melhor do que o velho método de acerto e erro. Mais erro, que acerto, ok, mas uma delícia. Ilustrei do jeito que deu  e perdi muito da qualidade ao digitalizar. Ao vivo são mais bonitas. Antes de ilustrar algo novamente, vou ter que me informar como meus desenhos em papel podem ser devidamente aproveitados.

No final coloco um vídeo que mostra o quanto a minha tentativa é meio patética.

O vídeo é lindo, o blog da Gennine é um encanto total. Não deixe de dar uma olhada.

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Contando histórias

Você tá feliz?

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“Sai de baixo dessa mesa, guri!”, chama a mãe mais com graça que zanga. “Desse jeito não sobra pudim pra você…”. A algazarra na mesa é grande, todos riem de alguma bobagem. E ele nem aí, nem para o pudim, nem para a piada – o livro está no fim, quer saber como a história termina. Faz sempre isso, quando acaba de comer, escorrega cadeira abaixo e fica lá, lendo,  pouco interessado nas conversas ao redor do almoço.

A família está passando mais um verão na casa da ilha, simples, de madeira, varanda com rede, dobradiças das persianas enferrujadas, quartos com beliches, sombreiro no quintal. Menino de apartamento em Curitiba, parece passarinho solto, para quem o melhor lugar é o galho da árvore frondosa. Da cidade, cada um pode trazer o seu essencial:  ”Tanto livro outra vez, filho? Todo esse peso? Você vai ter que carregar, lembre-se!”. E carregar, na ilha sem carro, significa 20 minutos de caminhada do barco à casa,  fato a se considerar. Mas ele leva, são as suas férias.

Os meninos não podem ser mais diferentes um do outro. Inteligências múltiplas, explicam os mais velhos. Ao seu lado, o irmão vem saltitando, arrastando sacolas com pranchas, video-game, máscara de mergulho, pés-de-pato, pistola de água. Agitado, passa os dias nas ondas, escalando os rochedos, fazendo e chutando castelos de areia, cavando buracos para chegar no Japão, colecionando conchas, pedras e carcaças de cigarras. O outro, o nosso menino, vive imerso em leituras, alma quieta, observador e introspectivo, acaba incomodando mais: “Esse menino é tão sossegado que dá nos nervos”, diz o pai.

Numa tarde quente de janeiro, lendo empoleirado nos braços frescos do sombreiro, ele olha em direção ao mar e vê uma menina. Magricela, cabelo vermelho, nem é bonita (ele está em uma idade em que não questiona a beleza das meninas. Elas são apenas… meninas), está em pé nas rochas perto da casa. Pele queimada de sol, um vestidinho azul claro e leve, ela está pescando.

Ele desce da árvore, fascinado, com vontade de fazer aquilo também, pescar é meio como ler, ato solitário e silencioso. Aproxima-se da menina, embaixo do braço o livro que até esqueceu de marcar, observa seus movimentos lentos, ignora o coração acelerado pela timidez e pergunta: ”Já pescou alguma coisa?”. A menina se volta e agora ele vê que os olhos são claros, parecem com os da avó Luzia, e ela tem sardas no nariz. Bonita? Sei lá, não enche. Ela sorri, aponta com naturalidade para um cesto cheio de peixes. Ele deposita o livro ao lado do cesto e fica ali, encantado com as cores, o brilho e textura dos pescados. Percebe que a menina se aproxima e começa a folhear o livro. Fecha logo, letra pequena, nem tem figuras. Rápido, ele diz: “Tenho outros em casa. Tenho muitos. Do que gosta?”. Ela responde que não sabe, não tem livros, leu só alguns na escolinha da ilha. Ele aproveita: “Me ensina a pescar? Te empresto meus livros”.

Ela ainda não sabe se a troca é boa, livros não são tão legais assim. Mas passam a tarde sentados na pedra, aprendendo a prender os camarões de isca que compraram na venda do Seu Zeca, a esperar a onda certa para jogar a linha, a sentir as leves fisgadas na vara, a tirar o peixe do anzol. O dia vai terminando, nosso menino feliz, pescar é tão bom quanto ler.

Fiel ao combinado, corre até a casa, escolhe no seu quarto  entre os livros deixados por 12 verões, lamenta não ter nada para meninas, acaba levando três que podem agradar. A menina espia da varanda, os olhos são verdes afinal. Bonitos? Um pacto silencioso é selado ali, eu pesco, você lê.

Pelo resto dos dias quentes de verão, a pescaria continua, o menino traz peixes todos os dias, a mãe se recusa a limpar, Seu Zeca faz esse favor. A menina traz uma irmã, dois vizinhos, um primo. Também vão pescar? “Não, eles querem emprestar livros. Pode?”. O menino percebe que estão todos guardados em caixas, difícil escolher. Pede ao pai uma estante. Organiza tudo ali e deixa que a gurizada selecione o que quer.

A temporada é longa. Muitos peixes, muitas leituras, mas chega a hora de voltar para a cidade. A essa altura, a turma interessada pelos belos livros cresceu muito. A estante é transferida para a venda do Seu Zeca. O pai coloca seus livros lá também, a mãe colabora com suas revistas e romances e uma plaquinha de madeira, onde está escrito:  Biblioteca da Ilha do Céu. Leve um livro. Leia. Aproveite. Do barco, navegando na direção de Curitiba, o menino vê a menina acenando, um livro na outra mão. Com seu vestido azul claro, cabelos vermelhos e dourados, sardas e olhos verdes. Linda.

Texto e ilustrações: Jô Mayr Bibas

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Meu mar

Livros. Porque não? Porque sim?

Feito criança

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Venho acompanhando o trabalho do Alessandro, do blog Livros e Afins, desde que o ArteAmiga existe. Estamos na mesma cidade, por isso vejo de perto suas inciativas, além de ler os posts diários que falam em tudo que se relaciona a literatura, cultura e que tais. Foi através dele que conheci a Daniele do Sítio Vanessa, com quem espero criar uma parceria para sempre. É dele a ideia da biblioteca na Panificadora Pote de Mel, da qual já falei aqui.

Alessandro há pouco viu mais uma de suas ideias se concretizar, proporcionando à cidade uma nova forma de difundir leituras: uma minibiblioteca. Lançou a ideia no Livros e Afins, arrebanhou colaboradores e fez acontecer. Bela iniciativa. Tomara que a primeira de muitas.

E é o Alessandro que vai nos dar algumas dicas para um novo projeto da Freguesia do Livro, que conto aqui em primeira mão. Como os livros que temos recebido em doação são muitos, resolvemos organizar essa história. Em breve, através desse blog e de outros comprometidos com a ideia, estaremos cadastrando bibliotecas informais, sociais e comunitárias para receberem os livros de acordo com o perfil de cada lugar. Difundindo, acima de tudo, o conceito da biblioteca livre. Mais um motivo para você levantar daí agora mesmo e lançar um olhar libertador aos livros que estão em suas estantes. Eles poderão fazer parte dessa ciranda de histórias que logo vai começar. Você não vai deixar seus livros empoeirados ficarem fora dessa, vai?

Nossa parceria já começou aqui, no blog Livros e Afins.

E esse vídeo é longo e lindo. Vale um pacotinho de pipoca.

Imagem inicial do post daqui.

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Acervos – Deixe seu livro ir

Ideias voluntárias

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Com essa história de mudar minha relação com os livros tenho analisado mais profundamente o conceito de acervo. Quem acompanha esse blog sabe que aprecio coleções, que valorizo memórias, que sou a favor de guardar o que compõe nossa história. Mas como também acredito muito em consumo consciente, acervo de livros passou a ser algo que tendo a questionar.

Porque exatamente guardamos tantos livros? Para saber o que já lemos? Movidos pelo “quem sabe um dia vou querer reler”? Para parecermos cultos e intelectualizados? Não se ofenda, você que tem paredes cobertas por volumes sem fim, livros amados aos quais se apegou irremediavelmente. Estou só compartilhando aqui um novo jeito de ver isso, de refletir se os livros lidos não estariam sendo melhor utilizados se abríssemos nossas gaiolas culturais e os deixássemos voar.

Nosso verdadeiro acervo já está dentro de nós, dentro de nossas cabeças e lembranças. Os livros que lemos já deixaram suas marcas e isso sim é biblioteca – aquilo que guardamos de cada história lida. Há alguns anos anoto os livros que leio em um caderninho. Sinto não ter começado há mais tempo, jovem ainda, quando iniciei minhas tantas leituras. Esse teria sido o meu acervo, o lugar para guardar meus livros lidos. Os próprios, livros materiais, ficam livres para andar por aí.

É claro que existem os mais amados, quem os tira daqui? E tem aqueles com que alimento os leitores que ajudei a constituir, porteiro, secretária, ajudante doméstica. Então, um acervo rotativo se faz necessário. E existem os acervos como o do amigo Rogério que ele generosamente disponibiliza para empréstimos nas prateleiras que forram seu restaurante. Mas livros de ter por ter? Não quero mais. Adeus para eles. Que sejam bem-vindos na casa de outro alguém. Ou numa bibliotequinha informal, numa geladeira de padaria, em um banco de praça, numa iniciativa no meio da Serra do Mar…

Dani e a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa. Livros na Serra do Mar.

Moral da história: alguns livros de seu acervo pessoal podem se transformar em parte de um acervo comunitário.  Se também está repensando, lembre de nós. Recebemos e encaminhamos os livros que você já leu e quer que cheguem a outras mãos, a outros leitores. O critério é flexível e bem explicado pela Ângela, minha grande companheira nessa estrada literária:

Se o leitor pegar firme no livro ele desmancha? As traças o perfuraram tanto que não dá nem pra ver todas as letras de uma frase? O cheiro de mofo requer máscara?  Se as respostas forem não, então aceitamos. O critério é: meu livro está velhinho,  mas o conteúdo vale a pena. A Freguesia do Livro recebe e agradece!

Solta a flor na correnteza

Longe, alguém desconhecido
faz um gesto distraído
e colhe a flor de surpresa.
(Helena Kolody)

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Sempre aprendendo

Casa da Bruxa

Para que tudo isso?

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Trabalho em portaria sabe ser chato. Ficar ali sentado, horas a fio, observando o entra e sai de poucos moradores, uma manutenção de elevador aqui, uma entrega do correio ali… Emoção máxima na improvável ocorrência de uma visita ilustre ou de um sujeito de olhar esquisito que passa encarando e… não volta nunca mais.

No prédio onde moro temos dois porteiros que se revezam em turnos. Parafraseando José Carlos Fernandes, um é uma chaleira fervendo e outro é o Oceano Pacifico. Seu Manuel é um hiperativo que o passar dos anos não acalmou. Suas horas passadas na portaria são preenchidas com consertos de rádios e aspiradores, passos ligeiros para abrir portas pomposamente e, fagueiro, carregar as coisas que os moradores trazem em seus carros quando estacionam.  Aí chegamos ao outro, o porteiro-tema dessa escrita. Mais tranquilo, executa sua função de forma mais, digamos, fleumática. Bem humorado, tem sempre um comentário divertido para brindar àqueles que por ali passam. Sendo mais sossegado, as horas também lhe parecem mais longas. Natural então que surja o desejo de ocupar o tempo que teima em passar moroso e arrastado – e ele resolveu agilizar-lhe a passagem lendo.

Foi assim que, um dia, o encontrei em sua mesa na portaria, pelejando com o “Mundo de Sofia”. Não resisti, primeiro porque sou meio enxerida, e depois porque, mesmo lendo muito, tinha considerado a leitura desse livro bastante complexa.

“Seu Dirceu, está gostando desse livro?”

“Estou achando ótimo, Dona Jô!”

Respeitei, engoli meus comentários e fui adiante. Passaram-se dois dias e ele me parou no caminho à garagem:

“Dona Jô, pensando bem, esse livro está meio difícil…”. Era tudo que eu queria ouvir!

“Seu Dirceu, que tal se eu trouxer uns livros para o senhor? De que tipo gosta?”

Nesse exato momento nasceu um grande leitor. Seu primeiro desejo foi A Cabana, muito comentado na época. Gostou mais ou menos: “Não é tudo isso que falam”, me disse. Engatei logo o “Pai Rico, Pai pobre”, que apreciou: “Boas dicas para educar filhos”. Em seguida me perguntou se eu tinha o do Nuno Cobra, A Semente da Vitória, do qual havia escutado no rádio. Eu tinha e ele achou o livro ótimo. Resolvi partir para os de ficção policial, não sem antes criar fidelidade com Código da Vinci e afins, do Dan Brown. Passeamos por Luiz Alfredo Garcia-Roza, Mary Higgins-Clark, Harlan Coben, Rubem Fonseca.

Alegria suprema se deu quando na semana passada S. Dirceu  anunciou que a última leva literária tinha sido terminada e que eu podia preparar a próxima. Junto com o pedido veio uma lista, em papel pautado e recortado, onde constavam os que ele já tinha lido e o que achara sobre cada um deles, me orientando sobre suas preferências… Agora acho que  já sei como nasce um leitor: quando ele descobre que ler significa prazer, um modo agradável de passar o tempo.

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Perca um livro

Fazer o que gosta

Voluntarie-se

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Frase batida, eu sei: uma biblioteca não é feita de livros, mas sim de leitores. Se isso é óbvio, então  me responda: o que produz um leitor?

Naquele mar de crianças que atendemos na biblioteca que a Freguesia do Livro montou na Vila Zumbi, algumas com vidas tão cheias de problemas que ler ou não ler deveria ser detalhe, muitas nos ignoram solenemente. Outras tentam se interessar e levam livros para casa, mas aí o descaso atávico e familiar faz com que os livros não sejam valorizados e, quando e se voltam, aparecem com cara de quem passou por maus bocados. Mas tem dois ou três que, assim, do nada, amam os livros. No meio daquela dura realidade, sentam-se concentrados, escolhem com critério, cuidam ao levar os  títulos escolhidos e voltam todos pimpões para a troca na semana seguinte. E nos brindam com presentes como esse:

Alguém arrisca um palpite? Modelo em casa? Pouco provável, a irmã não demonstra o mesmo interesse. Acertamos nas primeiras indicações de leituras? Com certeza essa alternativa encheria nossa bola, mas ele já começou assim, leitorzinho voraz. É mais inteligente que os outros e por isso lê, ou porque lê é mais inteligente que os outros? Ou é só mais curioso? Ou os livros chatos obrigatórios da escola não amorteceram seus voos literários, como fazem com tantos?

Então é isso, não sabemos o caminho, mas não desistimos de procurar. Lá no fim dele sempre pode ter alguém que está só esperando um livro para se descobrir leitor.

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