Fiquei algum tempo tentando encontrar um título para esse post… E o que coloquei não consegue englobar a realidade total. Porque o recorte de Malu Scheleder é apenas o final de um longo processo que se compõe de cultura, sensibilidade, pesquisa, compreensão da história do outro, capacidade de síntese e uma habilidade manual formidável.
Em uma casa que é um mergulho em lembranças de viagens, peças de família e um jardim cheio de surpresas, Malu entrega minha encomenda e me encanta. Professora de Artes, pratica essa arte alemã, a Schereschnitt, que significa recorte com tesoura.
O trabalho de Malu é impressionante: junto com a encomenda de um recorte, devem vir depoimentos e fotografias, para que ela possa entrar, entender e transformar a história de uma vida em uma renda, um recorte de detalhes incríveis. A capacidade de concentrar 50 anos em um único pedaço de papel emociona.
Uma renda.
Encomendei um recorte para meu marido e… está tudo ali. O personagem principal se identifica em cada parte do rendado: o nascimento dos gêmeos no Egito, a ida à Itália, a juventude esportiva, nosso primeiro encontro, as cartas, o tio que o acolheu, o primeiro trabalho na Algemarin, o casamento, os filhos, as paixões pelas artes, pela Ferrari… É incrível.
Malu vai fazer uma exposição no Memorial de Curitiba, iniciando no dia 27 de junho. Clique na imagem do folder para ampliar.
Meu marido, nascido em Alexandria, passou os verões (escaldantes, imagino) de sua primeira infância no litoral egípcio. Mudou para a Itália, onde viveu a adolescência nas negras areias vulcânicas de Ostia. Filho de mãe grega, umas poucas vezes visitou a casa que tinha ficado meio abandonada em uma pequena ilha da Grécia chamada Leros. Veio para o Brasil ainda jovem e desde então compartilhamos a casa de praia em Santa Catarina, da família há mais de 60 anos. Mas não tem jeito, o mar dele ficou sendo a Grécia, para onde está sempre querendo voltar. Qualquer outro mar é sempre quase-tão-bom-quanto ou nem-chega-aos-pés-de…
E o meu? Meu mar tem coleção de conchas em caixas de fósforo, machucado no joelho ardendo na água salgada, nariz com hipoglós, vergonha de ainda não ter peito, vergonha de ter peito demais. Caldos, mergulhos das pedras, piquenique no farol. Meu mar é esse em que estou agora, onde passei rigorosamente todos os verões de minha vida. Assim como minha avó, com seu maiô de perninha e touca de borracha, e minha mãe, com seu biquíni de bolinha amarelinha e sua calça cigarrete.
Foi nessas areias que meus filhos fizeram seus primeiros castelos, furaram as maiores ondas e pegaram os mais ousados jacarés. Levaram pacote, ralaram joelhos nas pedras, ficaram com a cara manchada de picolé de groselha. Aqui aprenderam a tecnologia secular materna de construir vulcões e de fazer castelos de areia pingada.
Meu mar tem uma casa cheia de histórias e recordações, minha referência. Ondas de lembranças, marés de nostalgia, que deixaram suas marcas.
Sempre te vi, sempre te amei. Mas nunca em ti me aventurei.
Declaração de amor às aquarelas e confissão de que me arrisquei a ilustrar a história que escrevi e postei há alguns dias. Não fazia ideia de por onde começar, o que precisava comprar. Aí, olhei minha enorme quantidade de tintas, lápis de cor, guaches e que tais e, na minha antiga e abatida caixa de lápis Caran D’Ache, vi escrito, pasmem, Aquarelável. Fácil, barato e ali, à mão. Restava saber como fazer. Nada melhor do que o velho método de acerto e erro. Mais erro, que acerto, ok, mas uma delícia. Ilustrei do jeito que deu e perdi muito da qualidade ao digitalizar. Ao vivo são mais bonitas. Antes de ilustrar algo novamente, vou ter que me informar como meus desenhos em papel podem ser devidamente aproveitados.
No final coloco um vídeo que mostra o quanto a minha tentativa é meio patética.
O vídeo é lindo, o blog da Gennine é um encanto total. Não deixe de dar uma olhada.
Estou sempre dizendo aqui que não devemos guardar coisas que não são mais úteis ou são demais. Essas podem ir embora para servir a outras pessoas ou se transformar em outras coisas. Mas também deu para ver que sou nostálgica, falo de meus pais, avós, de tempos idos e lembranças boas; valorizo móveis de família, acumulo álbuns de fotografia.
É contraditório? Mais ou menos. Porque tem coisas que simplesmente precisam ficar. Ficar para a gente poder recordar algo ou alguém. E depois, ficar para que se lembrem da gente.
Nessa categoria de coisas guardáveis, longa lista se forma:
Receitas. Quantas coisas cozinhamos com receitas de avós, tias, mãe? Sabores e aromas que nos lembram de pedaços de nossas vidas? E as receitas que fazemos e vão se tornando a nossa cara, a Nêga Maluca da Jô e da Dóris, os bolos da Christa, o Moussaka da Despina, as tortas salgadas da Angela, o cozido da Mari, o quibe do Eros, o tiramissú da Nizza, a pizza do Tino? Receitas precisam ser guardadas. Fim de papo.
Móveis, louças, objetos. Se estão ainda hoje na sua casa é porque pertenciam a alguém com quem você se importava. E ao usá-los, eles cumprem o seu papel: te lembram do dono anterior.
Cartas. De amor então, nem se fala. Aqui em casa estão guardadas as muitíssimas cartas escritas em dois anos anos de namoro no eixo Brasil-Itália, na era pré-internet e de preços exorbitantes de chamadas telefônicas (se disser que tinha até telefonista envolvida nisso, vão perceber que já faz algum tempo…). Estão socadinhas em uma enorme caixa nada charmosa, por isso aproveito a imagem emprestada do blog Empório Casa da Chiquinha, que é uma graça.
Desenhos e lembrancinhas dos filhos pequenos: eles crescem, minha gente, e rápido. E tudo aquilo que a gente achava inesquecível e permanente, vai se diluindo com o tempo. Guardar desenhos, frases e detalhes de infâncias tem um grande valor para eles quando crescem e para nós quando os vemos adultos.
Fotografias: quem não guarda? Só quem tem um coração de pedra. Álbum, arquivos de computador, porta-retratos, caixas de sapato… Vale tudo. Mas, uma dica: coloque datas, nomes, o que era e onde foi. Muitas informações se perdem quando os donos das fotos se vão e ficamos com imagens indigentes…
Para concluir, um achado. Um livro que permite que avós deixem sua história para seus filhos e netos. Achei num sebo, só trouxe para fotografar e já preciso devolver. Mas vou procurar. As avós de meus filhos são pessoas especiais e inesquecíveis, já deixaram suas marcas nos corações e memórias dos netos, mas poder rever a própria história é um exercício importante que todos deveríamos ter a oportunidade de fazer.
Tinha mentido. Só agora vou concluir com a foto do melhor colo do mundo. Como não guardar?
Curitiba é conhecida pela quantidade e qualidade de seus parques. E são muitos, mesmo, e um é especial, o Bosque do Alemão. Além de estar imerso em uma floresta com grandes escadarias e estruturas de madeira, ele tem um caminho dentro do bosque onde andando, de tempos em tempos, você encontra painéis de azulejos que contam a história de Hänzel und Gretel (João e Maria). Bem no coração dessa pequena floresta está a Casa da Bruxa, que no nosso caso é uma simpática velhinha que, ao invés de comer criancinhas, prefere contar histórias para elas. A casa abriga uma biblioteca onde meninos e meninas podem deixar a imaginação voar, ao pé de uma lareira acesa, quando o frio por aqui aperta.
Estruturas de madeira e vista de Curitiba.
João e Maria nos azulejos. Dá vontade de deixar pedrinhas marcando o caminho.
Casa de Bruxa. Boa, porque conta história!
Tem bolacha da D. Erika no Bosque!
Falando em crianças e livros, me lembrei de mim, criança, e da minha relação com livros. Dá pra fazer uma lista das coisas que esse simples pensamento me traz:
1. as coleções da Condessa de Sègur e da Laura Ingalls que embalaram minhas fantasias de menina. Colonização americana e governantas faziam parte do meu imaginário.
2. minhas caminhadas pelos corredores do Sion, feliz feito um cabrito, mas controlada nos passos como a educação rígida exigia (não me matou. Será que não é disso que nossos filhos sentem falta?). Lá ia eu pegar mais um livro para encher a minha ficha de biblioteca.
3. na casa de meus avós, em Blumenau, nas frias férias de julho, a alegria que sentia ao encontrar as coleções de Condensados da Seleções de meu tio Werner, livros em português! Meu avô era um leitor que levava a coisa a sério, mas só lia (e falava) em alemão.
E falando em crianças e livros, também me veio o filme You’ve Got Mail, que tem essa biblioteca:
E essa cena:
Essa conversa sobre livros e crianças tem um objetivo, você já deve ter percebido, certo? O Dia das Crianças está chegando e esse é um excelente momento para você analisar livros infantis que tiver em casa. Ou arrecadar com pessoas que conheça. E gibis, sempre! E não precisa ser só livro infantil, pois hoje temos diversos destinos para os livros que você pode “soltar” de suas estantes. Chega de prender livros. Eles estão loucos para seguir viagem.
Depois de ter começado uma solicitação de livros para nossa Freguesia do Livro, muitas outras portas se abriram. E descobrimos que muitas iniciativas para fomentar a leitura existem por aí. E que para cada público, um tipo de livro é indicado. Se for de Curitiba, entre em contato através de comentário aqui no blog. A gente vai buscar e encaminhar sua doação!
Três coisinhas para encerrar esse post compridíssimo:
1. quando fui tirar as fotos no Bosque do Alemão, vi um taxi parado na frente do parque e seu motorista catando amoras! Aproveitei também!
2. Participando do Meme Literário do Happy Batatinha que hoje pergunta ”Onde você gosta de ler?”, respondo:
A combinação cama-abajour-livro para mim é imbatível, e com um friozinho lá fora, então, sensacional. Ok, a cama pode ser substituída por sofá, rede, toalha na areia, cadeira macia, colo. Ponto de ônibus, saguão de aeroporto, assento de avião, sala de espera de dentista, quem se importa. Relação sem endereço, ela acontece em qualquer lugar.
3. Agora chega! Mais uma cena de um filme que gosto e que tem toda a história relacionada a um livro que precisa ser encontrado para que tudo dê muito certo!
Quando assistíamos os Jetsons (estou falando para aquela geração que via desenhos lá pelos anos 70) e víamos a Sra. Jane Jetson falando com seu marido pelo telefone e vendo-o em uma tela, não imaginávamos que íamos achar o skype uma coisinha corriqueira e precisar pentear o cabelo antes de atender uma chamada…
Vivemos num mundo rápido e lotado de estímulos. Informações em avalanches nos chegam o tempo todo. Muito mais do que conseguimos guardar e muito mais do que queremos realmente saber. O efeito disso tudo sobre nossa capacidade de memória iremos colher lá na frente, neste tempo de agendas que nos dão de presente os horários do médico e afins, os telefones de A a Z, as datas de aniversário de familiares e amigos. Não precisamos mais guardar recados, discussões são decapitadas por uma consulta no Google e quem tem tempo de jogar baralho ou fazer palavras cruzadas para manter os neurônios em forma?
Memória pouco exercitada que vai ficando preguiçosa pela falta de uso e porque tende naturalmente ao declínio com o passar dos anos. Mas a forma de preservar nossas lembranças ainda é a mesma de sempre: parentes, amigos e fotografias. Pais, avós, irmãos e tios são a nossa história, cada um é ou sabe um pedaço, peças de um todo sobre tudo o que veio antes de nós.
Nos últimos anos de vida de minha avó, sempre que a visitava espremia causos antigos. Bom exercício, pois era a memória que lhe tinha restado, já que os acontecimentos recentes desapareciam no ar. O que começou como entretenimento e estimulação mental para ela, acabou se tornando um momento importante para mim, ouvindo-a contar coisas de sua vida em um tempo tão remoto que nem parecia real. Vida de interior, uma galinha de estimação, namoro com aquele lindo alemão que chegou em um cavalo…
Avós deixam lembranças materiais, ainda bem. Essa tem sua história aqui.
E essa, da outra avó, pode ser conhecida nesse post.
Amigos também fazem bem para a memória. São laços que amarram acontecimentos, afetos, aventuras, tristezas e diversão em uma rede que nos constrói. Gente com passados conhecidos, com histórias interligadas e que, cada vez mais, sabe o quanto é bom estar junto para simplesmente lembrar.
E as fotografias? Ficam para o próximo post.
O texto abaixo despertou o texto acima. Escrito pela tia-avó da Maria Amélia, me fez pensar em como desperdiçamos as lembranças de nossos avós e pais, detentores de sabedoria e informações que precisam ser compartilhadas. Pergunte, escute, aprenda, conheça-se através das lembranças de seus familiares.
A velha da família
Toda família deveria ter a sua velha; traço de união entre o passado fugidio e o futuro ignorado, entre os que partiram e os que hão de vir, entre o que foi, o que é e o que será.
Uma velha guardiã de saudades, pastora de sombras. Que conte a história da família, casos que fazem rir, casos que fazem chorar.
Que diga o nome dos desaparecidos, o jeito que tinham, o modo de falar, de olhar, os gestos, as palavras que usavam, daqueles por outros esquecidos ou nunca sabidos, mas que a velha da família guardou no coração.
Uma velha que conheça a gesta familiar, uma velha repositório da tradição, arquivo da gente morta, para consulta dos vivos.
Uma velha que, como um baú de sótão, encerra trapos de vida, farrapos de tempo, coisas imprestáveis, mas que já serviram, belas coisas fenecidas, lembranças perdidas…
Uma velha, que como um álbum de retratos, conserva a imagem, lado a lado, de vivos e mortos misturados.
Os mortos, menos mortos por estarem ali, os vivos, menos vivos, porque sabem que, como os outros, um dia partirão.
Eu sou uma das velhas de minha família e vejo aflita aproximar-se a hora da separação… Quero ter, quando o momento for chegado, uma outra velha a quem passar a tocha que ilumina os recantos do passado.
Para que tudo isso? Já fiz essa pergunta por aqui e eu mesma respondi que das coisas que temos em excesso, muitas têm motivos sentimentais para se tornarem intocáveis: “Isso ninguém tira daqui, e ponto”. São objetos que nos foram dados ou pertenceram a pessoas que fazem parte de nossas histórias ou que compramos em dia-local-companhia especiais. Como diriam minhas amigas psicólogas, são coisas que significam. Têm um sentido para quem as guarda, protege e exalta, pequenos altares emocionais onde habitam os valores de cada um, formas de respeitar as memórias daqueles que as fizeram, presentearam ou apenas deixaram quando se foram.
Aquilo que hoje guardo e cuido, ficará. Será que fará parte da história de alguém?
Minhas madeiras com história, no momento têm como artista principal essa caixa do faqueiro de minha avó. Quando fomos, meus irmãos e eu, ver o que havia ficado em sua casa, essa caixa estava lá, largadinha, sem o faqueiro que foi se perdendo pela vida. Caixa grande com um verniz que resolvi eliminar e descobri uma madeira linda por baixo. Agora vai ser pintada e valorizada. Bem-vinda, caixa de faqueiro da minha avó. Isso ninguém tira daqui, e ponto.
E aqui a caixa já com sua nova fachada.
Caixa antiga com cara nova.
Mesa de canto antiguinha que ganhou cores e flores:
Baú que meu avô construiu. Faz tempo que fiz os girassóis, de que nem gosto mais. Hora de rever a história.
Canecas também têm história. Pelo menos na minha casa. Elas vão se acumulando, uma porque eu trouxe da viagem dali, outra de uma viagem de lá, uma porque ganhei dos filhos, duas porque são as preferidas do marido, uma ainda porque só naquela consigo tomar o café perfeito. É, como eu sempre digo: cada um do seu jeito, cada um com sua história.
Sou meio repetitiva, eu sei. Meus assuntos favoritos são sacolas plásticas, produção assustadora de lixo, o respeito à diversidade e às habilidades de cada um, a inclusão de pessoas com deficiência, a capacidade de escolha de sermos quem e como somos.
Essas teclas batidas até descascar o marfim me caracterizam, são as memórias que vou deixar para quem me conhecer. As marcas palpáveis estão aí, carimbos que já deixei: meus lindos filhos, a educação e oportunidades que receberam, um livro escrito e tantas caixas pintadas, espalhadas e que vão durar muito mais do que eu.
Minhas melhores marcas.
Caixas. Muitas caixas.
Me perdoem se estou parecendo fatalista, abanando com a tampa do caixão, como dizia meu avô. Mas tudo isso é uma volta enorme para retomar a tecla preferida: podemos escolher como queremos ser lembrados. Vou te deixar aí pensando nas memórias que está deixando e vendo suas alternativas. Não é teste, não tem pontos no final. É apenas você, exercendo seu direito de escolha e de decidir qual a marca que vai deixar:
( ) Otimista ( ) Pessimista ( ) Bem-humorado ( ) Mal-humorado ( ) Ativo ( ) Passivo ( ) Egoísta ( ) Altruísta ( ) Acolhedor ( ) Crítico ( ) Beijo e abraço ( ) Aperto de mão ( ) Sorriso fácil ( ) Olhar desconfiado ( ) Me dá um limão que eu faço uma limonada ( ) Tudo de ruim acontece comigo ( ) Da vida nada se leva ( ) Quero mais e mais ( ) O que faço serve de exemplo ( ) Vou ficar na vaga de deficientes só um minutinho…
Como estamos falando em marcas, declaro que minha nova vontade são os carimbos. Artigo de luxo e misterioso no Brasil. Se alguém tiver ideias para trocar sobre o assunto, ficarei muito feliz!
Uma marca que tenho certeza que vou deixar é minha Nêga Maluca, receita da minha Tia Dóris, e que fez parte da história de meus filhos e todos os seus amigos que partilharam lanches conosco. E aqui está ela:
Nêga Maluca
2 xícaras de açúcar
2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de chocolate em pó (eu misturo Nescau e Chocolate do Padre)
1 colher de chá de fermento em pó
1 pitada de sal
3 ovos
1 xícara de água morna
1 xícara de óleo de canola
Peneirar os secos.
Pré-aquecer o forno. Em uma tigela, bater os ovos por uns 5 minutos com batedeira, adicionar a água e logo em seguida o óleo de canola. Ir colocando os secos peneirados aos poucos e continua batendo com a batedeira. Colocar em assadeira retangular média, untada com óleo. Assar em forno médio por 20 minutos e em forno baixo por mais 10 minutos. Depois de esfriar cobrir com a calda de chocolate:
1 copo de leite
4 colheres de sopa de açúcar
5 colheres de sopa de chocolate em pó (Nescau e do Padre)
1 1/2 colher de sopa de margarina
1 pitada de sal
Coloca tudo em uma panela e cozinha por uns 10-15 minutos, até que engrosse um pouco.
No Dia das Mães, acontece o que todo mundo já sabe: mães ganham presentes. Flor, roupa, livro, abraço, beijo, almoço em família. Mas eu hoje resolvi inverter. Em vez de pensar no que vou dar, estou aqui pensando em tudo que ela já me deu, em tudo que ganhei da minha mãe.
1. O óbvio: vida, a possibilidade de existir.
2. O pacote completo: educação, limites, bom dia, boa noite, com licença, obrigada. Amor e disciplina. Conflitos, brigas, pazes.
3. Modelo: pais são exemplos a serem imitados, para o bem e para o mal. O exemplo que recebi em casa me fez boa mãe, pessoa que respeita os outros, que acompanha mas não invade. Aprendi com a minha mãe.
4. Habilidades: não todas nem na mesma intensidade. Mas ganhei da minha mãe a capacidade de desenhar, de aumentar riscos, de levar jeito com um pincel.
5. Cozinha: ela sempre foi uma cozinheira rebelde mas formidável. E minha aprendizagem culinária tem sua glória dividida com outras mulheres importantes em minha vida e todas excelentes cozinheiras, minhas avós e minha sogra Despina, outra mãe que muito me tem dado.
6. Conceito mãe-polvo: dá para ser mãe presente, dá para fazer geleia, levar 4 filhos em aulas diversas, bordar tapetes, costurar vestidos. Aprendi a ficar a um passo da perfeição, mas me empenhei em desaprender. Descobri que não ganhamos mais pontos no céu se fizermos tanto assim. Dá para ser boa mãe com menos trabalho, também.
7. Maternidade: ganhei da minha mãe o meu jeito de ser mãe. Espero que meus filhos também estejam ganhando de mim todos os dias os presentes que ganhei dela por toda uma vida.
Feliz Dia das Mães.
Na foto acima falta uma irmã, recém-transformada em peruana. Como ela é muito mais nova, não aparecia nessa foto do século passado. Espero que me perdoe.
Algumas peças de minha mãe que já andaram por aqui.
Você já parou para pensar no quanto os livros que leu na infância e na juventude determinaram a sua trajetória? Ou se as escolhas do que líamos e relíamos já eram uma amostra de nossas tendências? Eu acredito firmemente que o que lemos nessa época de nossas vidas deixou marcas e lembranças.
Às memórias: a botinha que a Emília fez de algodão e clara de ovo quando ficou minúscula em A Chave do Tamanho, do Monteiro Lobato. A casa na árvore do Robinson Crusoé, o sofrimento das 4 irmãs de Mulherzinhas, a colonização americana com seus potes de conserva da coleção de Laura Ingalls, a dor no coração lendo Meu Pé de Laranja Lima, o eterno otimismo da Pollyanna. Os mistérios de Rebecca, as aventuras dos Hardy Boys, as delícias da Recreio, as bobagens da Mad. Tudo faz parte do que sou agora, para o bem e para o mal.
Inevitável, portanto, que com esse grande amor pelos livros, eles fossem sendo acumulados e apertados em estantes pela casa. Demorou, mas há pouco percebi: eu não releio rigorosamente nada. Lido, está lido (exceção feita aos Cem Anos de Solidão de Garcia Marquez). Talvez lá no fundo da mente algo me alerte ao pouco tempo que terei para ler todos os livros, ver todos os filmes, visitar todos os lugares. Portanto, ler novamente uma história, não cabe.
Então olho meus livros e penso que eles poderiam estar estimulando, distraindo ou divertindo outras pessoas. Difícil desprender-me? Muito. Mas vamos lá, vamos começar.
Sei sobre livros desde as minhas mais remotas lembranças. Não existe uma lista dos mais amados, existiu sempre a presença deles. Não me lembro do meu pai contando histórias antes do meu sono chegar. Lembro dele lendo, jornais, livros, revistas. A memória dos livros da minha vida vem através dele. Sábado íamos à revistaria Ponto Chic da família Sunye, com uma luminária de neon. Ele sempre comprava algo pra mim, revistinhas com bonecas de papel que trocavam seus vestidinhos (uns que se recortava e dobrava umas alcinhas) ou uns álbuns onde o pincel molhado passava e a imagem ficava colorida, era mágico. Outro lugar mágico como um templo era a biblioteca da Escola Paroquial São Francisco de Paula, quando era a minha vez de ir trocar meus livros o mundo podia até parar que eu nem notaria. O cheiro, o silêncio, a presença tranquila dos livros me deixava feliz. Uma única vez meu pai não aprovou a minha escolha: O Diário de Ana Maria. “Este livro não é para a sua idade…” Não é preciso dizer o quanto eu me interessei por ele!
A Jô queria uma lista dos mais amados, não há… Não tem data, nem tempo determinado, só sei que sempre lidei com os livros, fosse para estudar, fazer cópias infindáveis na escola, brincar olhando figuras com meus amigos, e principalmente com alguma história que você fica torcendo pra chegar logo a hora de poder ir ler na cama. Os livros me fazem companhia desde que me entendo por gente. Doar meus livros para a Freguesia do Livro foi um trabalho lento e difícil. É uma nova fase! Espero que eles me ajudem a conseguir motivar pessoas a descobrir a magia que há dentro deles, assim como tentei fazer com todas as crianças que conviveram comigo.
E você, do que lembra?
Continuamos recebendo livros para a Freguesia do Livro. Participe. Desprenda-se. Livros precisam viajar por muitos olhos.
Jô Bibas, fonoaudióloga e artesã. Aqui mostro minhas artes e ideias e de amigas de longa data. Cada uma com seu talento, seu jeito, suas cores.
Curitiba/PR.