Uma viagem a New York – Setembro/2011
O furacão Irene passou, a viagem para Nova York foi adiada, mas finalmente chegou. Marina já está lá, vai ficar por um ano, mas no momento nem estou triste, por que só estou feliz! Também vou! Deixo para refletir o que vai significar ficar sem a minha Doceira Amadora quando voltar …
Imagens: Pinterest e WeHeartIt
Nova Iorque – Altos e baixos
Mesmo na cidade mais incrível do mundo chove muito. E como chove. Mesmo na cidade mais cinematográfica do mundo guarda-chuvas comprados em camelôs não duram nem uma quadra (das curtas, não das longas). Calçadas fazem poças enormes, sapatos encharcam, super-mercados não têm tudo que você precisa e na televisão só tem coisa chata para assistir. Como em todas as cidades do mundo.
A Big Apple reserva sustos também com a questionável comida americana. No mercado perto de casa existem quantidades industriais de cada produto. Só na seção dos queijos você se sente um rato em dia de 4 de Julho! Uma forte tendência aos produtos orgânicos engana ao primeiro olhar. Tudo parece lindo, cortado, limpo e pronto para consumo. Mas caro e com temperos estranhos e assustadores. Acabo saindo com um pacote clássico de Barilla, um molho de tomate que vou preparar em casa, cebola, alho… Confio mais no que faço. Arrisquei num frango assado e levei uma rasteira. Ruim demais. Nos restaurantes, pizzas que escorrem óleo e uma surpresa gigante por causa do tamanhos over size das porções… O perigo de comer demais e errado ronda todas as refeições.
Até aqui parece que estou falando mal de Nova York, certo? Não, minha gente, são apenas pequenas constatações, lamentações provocadas pela chuva. Porque NY continua o máximo! Hoje o sol raiou e fomos ao Chelsea Market, do qual ouvi falar pela primeira vez no Rosmarino. Em uma antiga fábrica dos biscoitos Oreo existe um coletivo de delícias em lojas diversas, de cupcakes a macarrão com beringela, de lagostas ostensivamente vermelhas a vitrines de padarias em ação – massas crescendo e transbordando em infinitas prateleiras. Uma festa para os olhos e para os paladares.
Mas sobre ele deixo que a Marina fale outro dia, pois o que me transtornou foi uma loja chamada Antropologie… Tem roupas, mas nem reparei. A loja tem um conceito de decoração muito legal, fiquei andando e amando tudo, me mordendo de vontade de fotografar, até que tive a grande ideia de ativar meu poderoso inglês e arriscar um “Can I take a picture?”. E podia!
Para ver mais dessa loja, entre aqui.
Saindo dali, bem pertinho, tudo no Chelsea, fomos conhecer o High Line, parque suspenso que revitalizou uma antiga linha de trem. Bela vista e um espelho d´água para acalmar pés maltratados por caminhadas por infinitas streets e avenues…
E aqui, o máximo do novaiorquismo…
New York – Respeito
Calhou de estarmos aqui no dia mais comovente para Nova York, para os EUA. Eu diria, para o mundo. Hoje é 11 de Setembro, data que não requer explicações. De maneira discreta mas vigorosa, se percebem cuidados pelas ruas, homenagens pouco vistosas, corais de pessoas vestidas de preto em escadas de praças, cantando o hino americano, manifestações de um patriotismo ainda machucado. Tristeza, medo, perigo. Sente-se no ar.
Ontem passamos no Rockefeller Center e demoramos a perceber o que estava diferente… Ao invés das bandeiras de todos os países do mundo que costumam emoldurar a praça, hoje só haviam bandeiras dos Estados Unidos. Eloquente. Disse tudo.
Passeio e coincidência
Nada melhor para conhecer uma cidade que andar molemente por ela. Agarrada em um guia sobre Nova York e feliz por estar em uma cidade onde ruas e avenidas têm números e localizar-se se torna algo possível até para mim, que nasci com GPS defeituoso.
Passeamos pelo bairro que acabo de eleger como meu preferido, o Green Village. Ruas charmosas, com paralelepípedos, cheias de lojas bacanas. Encontramos a Magnólia Bakery pelo caminho, confeitaria merecidamente famosa, porque o que provamos era delicioso.
Caminhando mais um pouco (ou muito, segundo minha sedentária irmã), chegamos ao Little Italy, onde comemos, e em seguida ao Chinatown. Será que posso ser honesta aqui, sem ofender os conservadores? Chinatown não está entre meus lugares preferidos.
Voltando pelo Soho, mais lugares especiais e coisas que só vemos aqui, como academia para cachorros e uma loja de roupas infantis em que toda decoração é feita com coisas infantis muito antigas, como berços, carrinhos de madeira, cavalos de pau. Um charme.
Adiante, encontramos a The Best Chocolate Cake in the World, que agora tem filiais pelo Brasil e do qual a Marina falou aqui.
Terminei o dia sentada na frente das prateleiras com livros de artesanato na Barnes & Noble. Trouxe a Martha Stuart para casa e vou me divertir com ela por um bom tempo.
E agora uma história boa, que só tenho coragem de contar porque minha irmã viajou comigo e me serve de testemunha. Sou fascinada por coincidências. Elas me comovem. Depois de falar longamente sobre perder um livro, campanha de livros viajantes, nada mais natural do que praticar essa conversa nessa viagem. Escolhi um livro antes de sair de casa, da Mary Higgins Clark, daqueles que a gente compra em aeroportos com o objetivo de embalar o sono em aviões e camas desconhecidas. Abandonei-o com a explicação “Esse livro nasceu para viajar. Leia e passe adiante” e deixei o dito em uma cadeira do saguão do aeroporto de Guarulhos. Até aqui, normal. Agora vem a parte boa: no primeiro dia, andando aqui em Nova Iorque na rua da casa de minha filha, com ela e minha irmã, o que encontramos? O mesmo livro, naturalmente em inglês, entre outros largados em uma escada. Perdidos. Pronto para serem achados por outras pessoas. Adorei. Marina escolheu um e deixou um bilhete de agradecimento. O que acham como coincidência?
Herois e máquinas fotográficas
Hoje, voltando para casa do Chelsea Market, vivi uma verdadeira experiência americana: vi os grandes heróis dessa nação, desde 11 de Setembro de 2001, em ação. Passando pela 14thSt vi um incêndio iniciado há pouco e – sem brincadeira – 14 caminhões e viaturas dos bombeiros. Confesso que fiquei encantada com a eficiência estratégica, a rua fechada em minutos pela polícia e, confesso de novo, olhei para aqueles homens vestidos como os vemos nos filmes, com aquelas escadas alçando voo rapidamente e hidrantes funcionando a todo vapor e decidi: são meus heróis também.
Olhando em volta, outra coisa me surpreendeu e cheguei a uma conclusão: o povo japonês ficou conhecido por fotografar e filmar tudo em viagens porque sempre teve grande tecnologia em fotografias. Mas, desde o advento das máquinas digitais, viramos todos japoneses. Em volta daquele incêndio, centenas de pessoas tiravam fotos e filmavam com seus aparelhos fotográficos, celulares, i-pads. Menos eu, que estava bem triste sem minha linda e nova câmera…
Viu como esse post ficou chato? Ele não tem imagens e nós estamos nos tornando cada vez mais visuais. Dá para parar e refletir que estamos desaprendendo a ver a vida com nossos próprios olhos. Precisamos ter sempre uma lente no caminho, entre nosso olhar e a realidade. De tanto registrarmos e documentarmos, quase não aproveitamos os fatos plenamente… Ou não?
New York – Um dia no parque
Envoquei e pronto. Queria porque queria fazer um piquenique no Central Park. E bati pé em mais outra coisa: tinha que ser com sanduíche da Zabar’s, lanchonete-loja-mercado famoso pela comida e por ser personagem coadjuvante de muitos filmes. Escolhemos sanduíches de salmão e de mozzarella de buffala e, munidas de cangas e lenços que viraram toalhas de picnic, lá fomos nós. Foi perfeito, como eu imaginei. Dia lindo, parque esplêndido, a vida americana em estado puro.
Imagens do passeio, já que dos sanduíches, nem migalha…
A gente, os bichos.
Nos bancos, pequenos pedaços de histórias.
O fim perfeito para o dia perfeito: um cheesecake novaiorquino.
Itália em New York
Nessa estadia em Nova Iorque descobri que minha alma é italiana. Mesmo sendo de origem alemã, vivendo no Brasil e estar passeando pela incrível Big Apple, foi quando entrei no Eataly que fiquei feliz de verdade.
O Eataly é um mercado aberto há pouco mais de um ano na esquina da 23th com a 6a Avenida, pertinho do Flatiron Building. Ali existe uma homenagem à comida da bela Itália. O conceito é simples: trazer ao consumidor a verdadeira comida italiana. Tudo natural e fresco. Nesse cartaz está escrito: a única coisa congelada aqui é nosso sorvete.
Os tomates, maçãs, massas e pães confirmam esse lema.
O lugar tem várias ilhas de restaurantes, separadas por proposta de comida italiana: Le Verdure, La Pizza, La Pasta, I Pani (para sanduíches). Festa para os paladares. Não esqueça dos doces, por favor. Take the gun and leave de canolli, já dizia Marlon Brando. Lá tem, canolli, cornetti e por aí afora.
Aí você senta em uma das mesas dos restaurantes ou em bancos no balcão de frente para os pizzaiolos genuinamente italianos da Rosso Pomodoro, a pizzaria que eu estava procurando por Nova Iorque e encontrei ali, e recebe fatias de pão italiano envolto em um papel rústico, um pratinho de azeite de oliva e uma acqua frisante e espera, praticando mergulho de pão no óleo, por uma deliciosa lasanha. Delícia! Faltou um vinho, fica para a próxima quando estiver com meu marido.
Mesmo passeando bastante pela Itália, não tinha visto ainda tantos azeites de oliva juntos. Ou vinagres balsâmicos, marcas infinitas! O jeito americano de fazer, tudo ao máximo.
Não podiam faltar, logicamente, os utensílios domésticos produzidos na Itália, como das marcas Bialetti e Alessi.E muros de Barilla.
New York é formidável, mas os EUA que me perdoem… minha viagem é a Itália.
Nova Iorque – Resumo da ópera
Quando volto de uma viagem tenho o hábito de resumir para mim mesma como o lugar que visitei me marcou, me surpreendeu. Os prós e contras de morar ali. Em New York é mais difícil, inicialmente, encontrar os pontos negativos porque a cidade te envolve e atordoa de forma intensa nos primeiros contatos.
Uma passadinha no Times Square à noite é suficiente para te deixar em um estado de deslumbramento que só vai passar uma meia hora depois.
A Broadway te tira o fôlego com todas aquelas atrações, espetáculos que parecem todos imperdíveis. Mas tudo tem fila, é caro, está lotado. Meu pão durismo quase nos fez não ver nada, mas acabamos assistindo o Homem Aranha por um preço excelente.
Em New York a gente caminha muito e cada bairro é uma surpresa, traz lojas, restaurantes e confeitarias que fazem o caminhar até a próxima quadra e suas delícias algo natural e desejado. Os tipos que encontramos nas ruas, as roupas esquisitas e o “não-estou-nem-aí” tanto de quem se veste quanto de quem observa é muito bacana. Ado, ado, ado, cada um no seu quadrado.
Táxis a um levantar de mão? Mito. Ônibus? Só se você andar com um saco de moedas. Metrô é a pedida, só precisa ficar atenta para acertar o lado para onde quer ir.
A comida é exagerada. Definitivamente. Não só os ingredientes embutidos nos alimentos engordam quem passa um tempo por lá, como também e principalmente o tamanho dos pratos. Tudo que se diz ser para uma pessoa, alimenta 2 e meia com folga. Mas com certeza a Marina está no lugar certo para aprender tudo sobre doces! E vai continuar recheando seu blog com delícias enquanto estiver morando lá!
Nem todo mundo é simpático. Meio cheios da quantidade industrial de turistas que aterrisa na cidade todos os dias. Só de brasileiros, segundo o motorista-estatístico da van que nos levou a um outlet, são 2500 que chegam em NY todos os dias. E por falar em outlets, outro fato que choca é a oferta e o consumo de produtos em geral. Turistas saem das lojas arrastando sacolas enormes, já de olho na vitrine da loja ao lado. Confesso que me desespera um pouco. Acredito no consumo consciente, no comprar o que preciso e aquilo tudo vai me dando uma aflição… Minha estadia foi para organizar a casa da minha filha e foi o que fiz. Deixo aqui um jogo de 7 erros da sala do apartamento antes e depois da nossa chegada.
Morando em um apartamento no Chelsea, vimos o quanto andar é bom, o quanto o metrô facilita, que supermercados, delicatessen e floristas estão em todos os cantos. As escadas de incêndio são características da cidade e Marina tem uma, é claro. A lavanderia do prédio fica no porão e de lá você sai com roupas limpas e estalando de secas em uma hora. Mas também tem muito lixo, e barata, e rato. Prós e contras, eu tinha avisado.
A vida em Nova Iorque fervilha, borbulha. Em qualquer lugar que você passa tem algo acontecendo, gente interessante para ser vista, um local que você viu em uma cena de cinema que te encanta, uma peça de teatro acontecendo em uma praça. Uma mulher cantando de calcinha, soutien e guitarra em uma esquina, um homem perdendo o tênis na porta do metrô e partindo com um pé com tênis e outro não. Um esquilo num gramado, cachorros de todos os tamanhos nos locais mais inesperados. Aquelas casas iguais da Carrie do Sex and the City, as galerias de arte descoladíssimas, os casais de todas as tendências sexuais. Hamburguer como se deve, camarão com gosto de milho, supermercados de orgânicos. É a diversidade que fascina, a gente fica o tempo inteiro como se estivesse passeando por um parque de diversões.
Como tinha planejado, fui atrás das lojas de carimbos. A Lu, do Artesanal, me deu a dica e visitei a Ink Pad umas 3 vezes. Não tinha as mandalas que eu queria, mas valeu a pena assim mesmo. Uma frustração: simplesmente não achei o mural d’Os Gêmeos que tinha visto em uma revista. Não soube procurar, com certeza, mas ficou uma tristezinha. Alguém sabe, alguém viu?
Sou fã do Sex and the City e a city do título é… New York. E achei esse vídeo que mostra as amigas e homenageia a cidade, na voz de Frank Sinatra cantando New York, New York. Sob encomenda.
O resumo? Nova Iorque é fascinante. Cansa, de tão intensa. Aí você vai embora. E não vê a hora de voltar.
Você também vai gostar de…










































































Adorei! Fui lendo e me sentindo andando pelas ruas de NY!